|
Bernardinho
Ele
tem fama de durão. Fica vermelho à toa e parece
espumar de raiva quando vê algum dos seus jogadores
cometendo uma falha na quadra. Bernardo Rezende, o Bernardinho,
é assim, exigente, perfeccionista e impaciente, como
ele mesmo se define. Adoro meu trabalho e vivo isso
de uma maneira muito intensa, vulcânica e até
desequilibrada, justifica este carioca de Copacabana.
Apaixonado pelo vôlei, ele se iniciou no esporte aos
11 anos e nunca parou de colecionar títulos, primeiro
como
jogador e depois como técnico.
Em 1986, Bernardinho levantou a taça que garantiu o
bicampeonato sul-americano de clubes para o Atlântica
Bradesco em Santiago do Chile, depois de uma vitória
certeira de 3 a 0 sobre o Minas Tênis Clube. Tinha 27
anos e vivia um de seus grandes momentos, sendo eleito o melhor
jogador de um torneio que também contava com Bernard
e Carlão, e, mesmo diante de emoções
como esta, nunca tirou os pés do chão. Do
ponto de vista individual, nunca fui top. Era um jogador de
grupo, um coadjuvante, relembra ele.
Hoje, mais do que nunca esse senso de coletividade é
celebrado pelos amantes do esporte. No domingo 13, a Seleção
Brasileira de Vôlei, capitaneada pelo técnico
Bernardinho, 43 anos, deu um banho de coesão ao derrotar
a campeã olímpica Sérvia e Montenegro
por 3 a 0 e garantir o tricampeonato da Liga Mundial. O sargento
durão, de bermudas e chinelos, não ostenta mais
a vasta e esvoaçante franja dos velhos tempos, mas
vibrou como uma criança peralta ao final da partida
em Madri, sendo lançado ao ar pela sua equipe. Naquele
momento, ele não era o técnico, o comandante.
Era apenas um integrante daquele grupo que, com disciplina
e técnica, deu mais essa alegria aos brasileiros.
|