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21/07/2003

   
 
Silvana Garzaro
Desde 2001 e até 2006, a Televisa tem preferência na compra
da emissora. “O SBT
está em ótimas condições, não tem dívidas, tem receita coerente com as despesas”, diz o superintendente comercial Guilherme Stoliar (acima)
Jayme de Carvalho Jr.

Boni (acima) diz que a negociação com Silvio
em torno do SBT não prosperou. “Esse assunto morreu”, afirma Boni

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Negociação para venda do SBT
Silvio Santos ofereceu 10% das ações da emissora para Boni, mas ele queria o controle

Daniela Mendes e Rosângela Honor

 
Reprodução
Sede do SBT na Anhangüera

O destino das ações do SBT estiveram em discussão
com o empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho,
o Boni, duas vezes. A primeira em dezembro de 2001,
quando Boni ainda era contratado como consultor da
Globo. Silvio Santos queria tê-lo no comando da pro-
gramação da emissora, por isso lhe fez uma oferta:

– Eu te vendo 10% das ações, faço uma cláusula de
proteção de acionista minoritário, você toma conta de
tudo, assume o comando da empresa e eu me conside-
ro um contratado – propôs Silvio.

– Tenho uma admiração muito grande por você e quero que você continue. Eu só compro a maioria – respondeu Boni.

– Faça uma oferta – sugeriu Silvio.

– Não, isso eu não vou fazer. Você me diz um preço e vou ver o que posso fazer. Não tenho dinheiro, tenho que arranjar investidores. Você me faz um preço.

Como Silvio disse que não tinha um preço a dar, a conversa terminou ali. Boni não quis fazer uma oferta para não fechar de vez o canal de negociação. “Se digo um preço e ele acha pouco, não tenho o que fazer. Ele não quis fazer um preço e me disse que aguarda uma oferta. Essa oferta não vai acontecer”, afirma. Boni ainda estava ligado à Globo, mas ele e Silvio assinaram uma carta de intenções, pois havia a possibilidade de a emissora carioca liberá-lo.

Reprodução
Nessa carta, ficou expresso que Boni tentaria uma liberação amigável da Globo e que Silvio não poderia esperar o final do contrato dele, expirado em janeiro passado. Boni não foi liberado e Silvio não quis correr o risco de pagar a multa rescisória e responder a processo – o contrato com a Globo previa, além de multa, ação de perdas e danos. “Ele me disse que não poderia correr esse risco e acho que tinha razão. Havia o desejo dele, havia o desejo meu, mas faltou oportunidade”, diz Boni.

No início do ano, o empresário carioca encaminhou uma carta para Silvio Santos dizendo que se ele tivesse interesse em retomar a conversa que o procurasse. O dono do SBT lhe disse que não voltaria a conversar se não existisse uma oferta. Silvio insiste nesse ponto, mas nesses termos a negociação não interessa ao ex-consultor da Globo. “Esse assunto morreu”, diz Boni.

Com a Televisa, as conversas também nunca chegaram em números. A empresa mexicana é antiga parceira do SBT, que compra programas e novelas da emissora. É o maior grupo de meios de comunicação em língua espanhola do mundo e detém 74% da audiência do México com suas quatro cadeias de televisão. Cobre o mercado hispânico dos Estados Unidos com a Univision e distribui programação no mundo todo. Também possui a maior editora de revistas em espanhol do planeta, com mais de 50 títulos distribuídos em 18 países. Seus ativos valem US$ 5,3 bilhões.

O “anúncio” de que Sílvio Santos teria vendido metade do SBT por R$ 1 bilhão para a Televisa gerou declarações contraditórias da emissora. Na quinta-feira 10, o porta-voz Manuel Compean disse que a rede avaliava a possibilidade de negócio, mas sem avanços significativos. As ações da empresa caíram quase 3% na bolsa de Nova York durante o pregão e fecharam em queda de 0,78%. No dia seguinte, num comunicado oficial, a Televisa negou qualquer negociação.

Em abril de 2001, a Televisa e o SBT estreitaram as relações. A emissora mexicana passou a ter prioridade na compra do SBT até dezembro de 2006, limitada a 30% da empresa, de acordo com a lei que regulamenta a participação do capital estrangeiro nas empresas de comunicação no Brasil. “O SBT está em ótimas condições, não tem dívidas, tem receita coerente com as despesas e tem investido em programação”, diz Guilherme Stoliar, superintendente comercial da emissora. A nota da Televisa, porém, informa que a empresa não pensa em exercer essa opção por enquanto.

É complicado avaliar o valor de uma emissora de tevê. Segundo Daniel Barbará, diretor comercial da agência de publicidade DPZ e especialista em mídia, o SBT é uma concessão do governo que, em tese, pode ser cassada. “Do ponto de vista econômico, vale 15 vezes o lucro médio dos últimos três anos, ou seja, R$ 3,5 bilhões”, diz ele. O lucro médio foi de R$ 230 milhões. O preço também depende de as afiliadas acompanharem a mudança. O SBT dispõe de uma rede de 113 emissoras, das quais 9 próprias

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