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Entrevista

21/07/2003

   
Fotos: Leandro Pimentel

“O Tarcísio está cada vez mais bonito. Está um espetáculo! É o Sean Connery brasileiro. E se perder um pouquinho de barriga, ganhará mais charme ainda”

CONTINUAÇÃO
Qual o segredo
de sua vitalidade?
 
Tem medo da morte?    
 

 

Camille Miceli
“Cópia quer dizer sucesso”
continuação
 

É o pior aspecto da velhice?
É. Eu guio para todo lado, pego estrada de lama, vou para qualquer canto. Vai ser complicado para mim, tomara que eu vá antes de ficar numa cadeira, numa cama. Este é o meu medo: perder a independência, depender dos outros para me dar comida. Tenho o exemplo dos meus pais, que ficaram assim e eu cuidei deles. Se não desse comida na boca da minha mãe, ela morria de fome. Isso eu não quero. Acho uma grande sacanagem com o ser humano. A gente devia chegar aos 50 anos e parar de envelhecer e quando chegasse aos 80, apagava. Mas com tudo em cima, não precisava esse desgaste biológico. A Dercy Gonçalves é um fenômeno. Deve ter os problemas dela, mas é rápida de raciocínio, tem opiniões, podem ser erradas, mas ela está lá, enfrentando as pessoas.

Tem medo da morte?
Aprendi com a peça a ter menos medo da morte. Nunca havia pensado muito a respeito, mas passei a pensar por causa da peça que tratava de uma mulher com câncer e vi que ela não me amedronta tanto. Me deu o sentido de viver bem, de vida. Deixa eu aproveitar a vida. Hoje sou muito mais paciente.

Como é envelhecer com o Tarcísio?
Está sendo tão bom. É um privilégio que nós tivemos que pouquíssimas pessoas têm. É claro que a gente se conhece muito, somos diferentes e temos as nossas desavenças – e seria horrível não ter. Penso de uma maneira e ele de outra
e a gente chega a um denominador comum. A gente muda com a idade. Eu era mais impaciente e hoje em dia sou mais paciente. O Tarcísio era mais paciente e hoje está impaciente. Ainda bem que deu certo a troca, porque senão só iam sair faíscas. E o Tarcísio está envelhecendo muito bem. Está cada vez mais bonito. Eu digo a ele que ele tem que agradecer a Deus, porque às vezes as pessoas foram tão lindas e envelhecem tão mal. E ele está ficando mais charmoso. Está um espetáculo! Virou o Tarcisão. Acho que é o Sean Connery brasileiro. E se perder um pouquinho de barriga, ganhará mais charme ainda. Mas não consigo cuidar da forma dele. Tô sempre falando para ele comer menos.

Esperava ficar casada tanto tempo com ele?
Eu não pensei não, a gente deixou mais a coisa correr solta. Eu pensava: “Enquanto a gente estiver bem, vamos estar juntos”. Na época, eu tinha medo de dizer que queria ficar e forçar a barra, sabe. E quando você vê, passaram-se 40 anos. Eu levo um susto. Parece que foi ontem e eu só sei que são 40 anos porque as pessoas me cobram. Nunca pensamos em nos separar, mas já aconteceram brigas, dizer “vou embora”, mas depois voltava. É normal. O cotidiano não é fácil de ser vivido.

É uma avó coruja?
Não sou uma avó normal. Nunca tomei conta deles, não dei mamadeira. Não tinha tempo para mim e por isso minha filha nunca pôde contar comigo. Nem para educar, porque quem educa é pai e mãe. Eu tiro o proveito de ser avó, gosto de sair para passear. Agora mesmo estive nos Estados Unidos, onde meu neto Gustavo se formou (em Educação Física) e me senti muito orgulhosa. Fui aplaudida porque era avó do Gustavo! Meus netos não me chamam de avó porque fui avó muito jovem, aos 45 anos, e eles me viam na televisão. Como o mais velho começou a me chamar de Góia, ficou Góia.

E como foi com seus filhos?
Casei a primeira vez aos 17 anos e tenho dois filhos do primeiro casamento, a Maria Amélia e o João Paulo. Por eu ter sido mãe muito jovem, tinha muita culpa. Me sentia culpada de fazer viagens ou passar o dia inteiro gravando e deixar meus filhos. Mas aí cheguei à conclusão de que eles tinham que aprender que eram filhos de artista e que eu dava em qualidade muito mais que em quantidade. O Tarcisinho eu curti mais. Curti as transformações de idade, as fases de criança. Guardo uma imagem até hoje. Meus dois filhos haviam ido para a casa do pai numa passagem de ano e ficamos eu, Tarcísio e Tarcisinho. Quando a gente olhou para a bandeja, havia uma garrafa de champanhe, duas taças e uma mamadeira. A família estava ali, pai, mãe e filho, festejando uma data importante.

O que representa completar 40 anos de carreira?
Quando fiz a peça Jornada de um Poema, na qual raspei minha cabeça, me coloquei nua no palco. Foi um recomeço de carreira. São 40 anos e tive a sensação de começar tudo de novo, porque passei por uma metamorfose comigo mesma. Aprendi que você não modifica nada na sua vida, você acrescenta. E é tão bom porque você passa a ser mais tolerante consigo e com as outras pessoas.

De quem gosta da nova geração de atrizes?
Acho Malhação uma escola maravilhosa. É uma renovação legal. Essa menina que está fazendo a novela das oito, a Carolina Dieckmann, é muito promissora, tem progredido cada vez mais. E ela veio de Malhação. Gosto também da Samara Felippo. Talentos vão sempre aparecer. Não sou contra carinha bonita na televisão, mas acho que todo mundo tem que se preparar. Não adianta ter talento e não ter vocação que aí não vai para frente. Fazer sucesso é muito fácil, porque é um ruído novo e todo mundo quer falar sobre aquele ruído. Se manter é que é complicado.

Assiste tevê?
De vez em quando. Tenho obrigação de assistir para ver
o que está acontecendo. Sou viciada em telejornais. Tenho visto também a novela do Manoel Carlos e gosto muito. Acho que ele aborda temas importantes e os diálogos são maravilhosos e o aplaudo. Nunca fiz novela dele e gostaria muito, seria um grande prazer.

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