Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

14/07/2003

   
 
Fotos: Prensa Três
Ao longo de seus 92 anos, Chico publicou 412 livros psicografados

 

Gente Fora de Série
Capítulo 3
O fenômeno de 412 livros
Investigado por cientistas, estudado por escritores, procurado por políticos e artistas, Chico Xavier ganha notoriedade nacional

Juliana Lopes

 
Fotos: Prensa Três
Aos 22 anos, o médium finalizou seu primeiro
livro psicografado com 259 poesias, que
teriam sido ditadas por autores como
Arthur de Azevedo e Olavo Billac
Chico Xavier viu a imagem de uma figura simpática se aproximar. Emmanuel, nome pelo qual o espírito pediu para ser chamado, o convidaria para trabalhar na mediunidade, baseando-se no Evangelho de Jesus. Chico tinha apenas 21 anos e, inseguro, pediu
que os bons espíritos não o abandonassem. Emmanuel, que, segundo relatos do médium, disse ter encarnado um senador romano séculos atrás, assegurou ao jovem que ele jamais seria desamparado. Mesmo assim, Chico continuou indagando: “O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?”, perguntou o médium, de acordo com Ramiro Gama no livro Lindos Casos de Chico Xavier. “Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos para o serviço...”, teria ouvido Chico.

Chico Xavier estava atento àquelas palavras. Não havia mais ninguém no açude. Em volta, apenas um pontilhão, a via férrea, o córrego cristalino. “Chico queria saber se tinha condições de desempenhar o trabalho e os três pontos que ouviu foram surpreendentes”, conta o amigo do médium, Marivaldo Velloso, vice-presidente da União Espírita Mineira.

– Qual o primeiro ponto?, perguntou Chico.
– Disciplina, ouviu do espírito.

– E o segundo?
– Disciplina.

– E o terceiro?
– Disciplina.

Depois disso, a entidade partiria. Mas Chico teve consciência, desde então, que iniciaria um difícil cami-
nho. A partir desse encontro espiritual, a vida de Chico
se tornou cada vez mais atribulada. Passou a trabalhar
tanto que dormiu, em média, durante toda a sua vida,
cerca de três horas por dia.

No ano seguinte, aos 22 anos, o médium finalizou seu primeiro livro psicografado e um de seus trabalhos mais importantes: Parnaso de Além Túmulo. Obra de fôlego, mas que Chico nunca atribuiu a si próprio – atitude que tomou com todos os 412 livros psicografados. O livro reuniu 259 poesias que teriam sido ditadas por 56 poetas mortos. Arthur de Azevedo, Olavo Billac, Castro Alves e Augusto dos Anjos estariam entre eles. O médium já havia recebido algumas poesias deste livro antes mesmo de conhecer Emmanuel. Em 1932, encarou uma das maiores polêmicas de sua vida. Intelectuais assustados tentavam entender como o estilo de cada escritor tinha sido tão respeitado pelo médium.

“Eram papas da poesia brasileira”, exclama Marivaldo Velloso. “A confusão foi tão grande que formaram uma comissão literária para fazer uma análise e julgar o fundamento da publicação. Silvio Romero, Monteiro Lobato e Agripino Griecco examinaram a obra”, conta Velloso. Lobato, na época, comentou que “se o trabalho for do Chico ele pode ocupar tantos lugares quantos quiser na Academia Brasileira de Letras”. A família do poeta Humberto Campos, no entanto, não aceitou pacificamente a obra. Exigiu sua parte na cobrança dos direitos autorais sobre as poesias que “o
poeta fez através das mãos de Chico Xavier”. O caso foi parar no tribunal. A Justiça decidiu que “mortos não têm direitos” e a ação se encerrou.

Chico, a essa altura, ganhava projeção nacional e internacional. Passou a ser visitado por políticos, como o presidente Ernesto Geisel, artistas, como Cacilda Becker e, aos 29 anos, recebeu cientistas americanos e europeus. Continuava humilde e psicografando em demasia. “Numa das vezes o texto era ditado, nas outras ele via as letras e copiava. Mas na maioria dos casos era mecanicamente. Ele emprestava o braço e não via o que estava escrito”, conta Velloso. Sérgio Gonçalves, sobrinho de Chico, completa: “Ele era capaz de psicografar em inglês numa mão e em francês na outra”. A produção era tanta que em 26 anos – de 1932 a 1958 – Chico psicografou 59 livros. Mas ainda era o começo.

1 | 2

Comente esta matéria
 
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 206
ENQUETE
O autor Manoel Carlos é acusado de manchar a imagem do Rio e pressionado a dar outro fim para Fernanda de Mulheres Apaixonadas, que será vítima de bala perdida. Você concorda com o fato de o autor não ceder à pressão e manter o destino
da personagem?
:: VOTAR ::
 
QUEM SOU EU?
 

BATOM E PERSONALIDADE

 BUSCA

RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua
novela preferida
TESTE
Você é Beijoqueiro ?
Engana-se quem pensa que beijo não define uma conquista. Descubra se você domina a arte de seduzir com os lábios!
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três