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Reportagens

12/05/2003

   
 
Cadu Gomes/ Photo Agencia
Com os filhos Giulia,
10 anos, e Luigi, 4 anos, na caminhada matinal de 40 minutos no Lago Norte, em Brasília:
“Passo semanas
inteiras almoçando sanduíches”, diz
Anderson Scheneider
À frente do sindicato paulista dos bancários, ele fez uma parceria
com o então presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, para bolar
um projeto social

 

Política / Ricardo Berzoini
O pai da nova previdência
O ministro que encara o desafio de descascar a reforma da Previdência largou a engenharia mecânica no terceiro ano, engordou 15 quilos desde que assumiu a pasta e foge dos churrascos no Palácio da Alvorada

Cecília Maia

 
  Cadu Gomes/ Photo Agencia
  Para descascar o abacaxi das reformas, o ministro usa a persuasão e estilo sossegado para lançar medidas como a taxação dos inativos

Desde que assumiu o Ministério da Previdência Social, o ministro Ricardo Berzoini, 43 anos, foi obrigado a adotar algumas práticas das quais não gosta muito. Conhecido por seu estilo caseiro, do tipo que gosta de ficar em casa com a mulher, Sônia, e os filhos, Giulia, 10 anos, e Luigi, 4 anos, Berzoini já não consegue mais ser o mesmo. Todas as noites, por exemplo, está fora, em jantares que terminam por volta da uma da manhã. “São reuniões com políticos para debater a reforma da Previdência que inevitavelmente acabam com deliciosas comidas”, conta. Outra: deixou de reservar seu tradicional momento de sossego na hora do almoço regado a música suave e saladas leves. Para dar conta das 16 horas diárias de trabalho, o ministro não tem outra saída a não ser apelar para os sanduíches naturais que são vendidos na banquinha em frente do Ministério. “Tenho passado semanas inteiras almoçando sanduíche”, revela.

O resultado dessa nova rotina agrada menos ainda ao vaidoso ministro: ganhou 15 quilos na silhueta de 1,87 metro de altura. Temendo ser incluído na lista “do bando de barrigudos que correm atrás de uma bola nos fins de semana”, como definiu o deputado Paulo Bernardo do (PT-PR), referindo-se ao time de futebol do presidente Lula, Berzoini se apressou em cuidar da forma física. Passou a andar 40 minutos todas as manhãs, tem tentado equilibrar a dieta, quando pode, e sempre dá um jeito de ficar de fora do time dos “craques do governo”. “Fui um dos primeiros a me machucar. Tive uma distensão na coxa”, lembra ele, que foge do churrasco do Palácio da Alvorada, mas faz o seu próprio em casa para amigos nos domingos. “Procuro tirar os finais de semana para ficar com minha família, já que tenho tido pouco tempo para meus filhos”, explica.

O lado bom de tudo isso é lidar com assunto considerado tão árido pela maioria dos mortais, a Previdência Social, sua especialidade desde a época de dirigente sindical nos anos 90. No Sindicato dos Bancários de São Paulo, primeiro como diretor e mais tarde como presidente, Berzoini ajudou a aumentar a participação dos bancários no Fundo de Pensão da categoria. Ele não chegou a conquistar um diploma universitário, já que abandonou o curso de engenharia mecânica no terceiro ano, mas de tanto estudar sobre o tema, acabou autodidata também em macroeconomia, o que o credenciou para ocupar uma cadeira na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados em seu primeiro mandato. Nessa época dividiu o apartamento em Brasília com o então deputado Aloizio Mercadante. “Ele foi um excelente companheiro de convivência”, contou o agora líder do Governo no Senado, seu mais forte aliado no Congresso.

“Quando fiquei sem mandato, ele me convidou para trabalhar no Sindicato dos Bancários”, lembra Mercadante, que ao
lado do colega e do secretário de Imprensa do Palácio do Planalto, Ricardo Kotscho, que também foi funcionário de Berzoini no Sindicato, criou o Projeto Travessia, uma ONG para cuidar de crianças carentes. “Ele conseguiu um fato inédito nessa época”, conta Kotscho. “Fez uma parceria entre o Sindicato dos Bancários e o presidente de um dos maiores bancos do mundo: o ex-presidente do Banco de Boston, Henrique Meirelles (atual presidente do Banco Central), o primeiro a financiar o projeto.”

Reunir banqueiro com bancário, inclusive em assembléias da categoria em torno de um projeto que muitos achavam impossível vingar, só demonstra a capacidade do ministro. “Ele é determinado, não desiste enquanto não consegue o que quer”, elogia Kotscho. Ingrediente que somado ao seu poder de convencimento, e um jeito sempre tranqüilo de argumentar, ele tem aplicado para tornar palatáveis medi-
das tão impopulares como a taxação dos inativos. “As pesquisas mostram que as pessoas estão começando a entender a necessidade das mudanças”, diz o ministro docemente, para em seguida lançar a ameaça: “Do con-
trário, num futuro próximo, o País não terá como pagar o direito dos aposentados”.

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