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Entrevista

12/05/2003

   
Leandro Pimentel

“Não tenho paciência para novela, não acompanhava nem as em que trabalhei”, diz

 
CONTINUAÇÃO

E o que tem escrito ultimamente?

Acompanha
novelas hoje?

Por que ficou sete anos num seminário?

 

Carlos Heitor Cony
““Se fosse padre, seria
um homem melhor”

Com seis casamentos e três filhos, o ex-seminarista e escritor não lê novos autores,
critica as adaptações de livros para tevê e
dá nota zero para a política do presidente Lula

Luís Edmundo Araújo

 

Poucos escritores no Brasil podem apresentar uma obra tão vasta quanto a do carioca Carlos Heitor Cony. Desde 1956, quando publicou seu primeiro livro, O Ventre, são mais 63 obras, entre romances, reportagens, crônicas, contos, infanto-juvenis e adaptações de clássicos da literatura, além de participação em coletâneas com outros autores. Aos 77 anos, ele mantém o ritmo incessante de trabalho. Assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo, tem pronto um romance para ser lançado e prepara uma reportagem com suspeitas sobre as mortes do ex-governador do Rio de Janeiro Carlos Lacerda e dos presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart.

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2000, o
autor confessa ter perdido a esperança na política que o
fez ser preso seis vezes durante a ditadura militar. Ele criti-
ca o presidente Lula, a quem compara ao líder comunista
Luís Carlos Prestes: “Se há uma pessoa que idolatro é Pres-
tes, mas ele nunca foi tão imbecil ao atrelar-se à União Soviética. Lula também tem uma bela biografia, mas está embarcando em canoas erradas”.

Ex-seminarista, Cony passou sete anos estudando para ser padre. Abandonou a vocação e casou-se seis vezes, a primeira em 1949 com Maria Zélia Machado, com quem teve Regina Celi, 52 anos, e Maria Verônica, 49. Também é pai de André Heitor, 30, da união com Eleonora Ramos.

Como o senhor consegue manter a produção de
início de carreira?

Primeiro porque escrever é o meu ganha-pão. Não sei vender terreno, não nasci rico, então tenho que trabalhar. Tenho
uma estrutura profissional, e atuo em vários departamentos, surgem encomendas, trabalho na imprensa, mas minha praia é mesmo a literatura. Nessa não preciso de mais nada, só de mim e um computador.

E o que tem escrito ultimamente?
Estou escrevendo até mais do que deveria. Escrevi há dois anos o romance A Tarde da Sua Ausência, que está para sair. Também escrevo um romance-reportagem sobre as mortes do Juscelino, do Lacerda e do Jango no contexto da Guerra Fria e da abertura política no Brasil. Faço em parceria com a jornalista Ana Lee e o título provisório é O Beijo da Morte. É um livro polêmico, levanto todas as coordenadas de três mortes estranhas, que aconteceram num contexto internacional onde houve outras mortes.

Acredita que os três foram assassinados?
A conclusão final é que as provas são mais fracas que os indícios. Os indícios apontam para um atentado político na morte dos três. Como disse o Miguel Arraes (ex-governador de Pernambuco) numa comissão da Câmara dos Deputados para apurar a morte do João Goulart: “Minha opinião é que os três foram assassinados. Se os fatos não provam isso, azar dos fatos”. Eu assino embaixo.

Por quê?
O livro do Elio Gaspari, A Ditadura Envergonhada, inicia-se com o diálogo entre o (ministro da Guerra) Silvio Frota e o então presidente Ernesto Geisel, em 1977, mostrando que a linha dura queria derrubar o Geisel e impedir a abertura. Depois, em 1981, teve a bomba no Riocentro. Havia na linha dura o temor da abertura, e nesses casos o programa radical manda eliminar, como fizeram os bolchevistas na Rússia, matando toda a família Romanov para que ninguém aparecesse pretendendo o trono.

Há quanto tempo pesquisa o assunto?
Comecei a escrever sobre isso em 1977, quando o Lacerda morreu. A combinação das três mortes fiz em 1982, e acho que na grande imprensa fui o primeiro a levantar a questão. Mas na época não quis me aprofundar porque não tinha elementos e porque não tinha saco para parar tudo e fazer essa pesquisa. Passei 23 anos sem fazer ficção, que é a minha praia, quando me dediquei mais ao meu trabalho na revista e na tevê Manchete. Por que não dar uma banana para reportagem, que não é minha especialidade?

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