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Reportagens

21/04/2003

   
 
Raphael Falavigna
“Existe a mística de que trabalhar na Globo é estar perto do pote de ouro que fica no fim do arco-íris. Mas é uma ilusão porque paga-se mal. Não voltaria a trabalhar lá, prefiro a liberdade”, diz Paulo Henrique, com os schnauzers Baby e Bruno

 

Televisão
Jornalista que morde
Dono de uma língua afiada, Paulo Henrique Amorim fala mal da Globo e da Bandeirantes,
é o novo chefe e apresentador do Jornal da Record e diz que a emissora sabe o “bicho
que está levando para casa”

Juliana Lopes

 
De dentro do elevador, Paulo Henrique Amorim já escuta os latidos de seus dois schnauzers, interrompendo a madrugada dos vizinhos, em São Paulo. Baby e Bruno fazem parte do fim e do começo da rotina do jornalista. Vão dormir à 1h30 da manhã, após o dono deles zapear os canais internacionais de televisão – CNN e BBC, principalmente. Pela manhã, às 8h30, estão todos de pé para a caminhada. “Não posso entrar na internet. É uma compulsão”, diz, referindo-se ao hábito de mergulhar em notícias horas a fio. A compulsão tem tudo para aumentar: além de comandar as notícias no portal UOL, Paulo Henrique é, desde a quinta-feira 10, o novo chefe e apresentador da segunda edição do Jornal da Record.

Carioca, Paulo Henrique, 60 anos, decidiu ser jornalista aos 17. Teve dúvidas entre estudar línguas ou tentar a carreira diplomática. Para sua sorte não virou funcionário público. “Ia enlouquecer, me matar de tédio”, diz. Resolveu estudar jornalismo para escrever. Um de seus primeiros empregos, aos 24 anos, foi na Veja com Mino Carta, atual diretor da revista Carta Capital. “Mino é furiosamente cáustico”, diz Paulo Henrique. Os dois se encontram com freqüência, escolhem assuntos apimentados e morrem de rir entre garfadas de risoto. “Paulo é exigente na chefia, severo,
mas um encanto de pessoa”, elogia Mino.

Ansioso no trabalho, é amado e odiado nas redações. No Jornal do Brasil, onde foi editor-chefe na década de 80, rabiscava as reportagens em vermelho e pendurava-as num varal. Podia escrever de “detestei, tá errado” até “adorei, sensacional”. O mural, inspirado numa prática da revolução cultural chinesa, era chamado de Dazibao. “Dizem que sou obcecado. Talvez seja”, assume, aos risos. É o humor ácido que ele prometeu levar para a Record, onde apresentava o quadro Conversa Afiada no telejornal há seis meses.

Paulo Henrique trabalhou na Globo, foi correspondente em Nova York nos anos 80 e diz nunca ter sido contagiado pela arrogância de ser “global”. “Existe a mística de que trabalhar na Globo é estar perto do pote de ouro que fica no fim do arco-íris. Mas é ilusão porque paga-se mal. Não voltaria a trabalhar lá, prefiro a liberdade”, diz. “A Record sabe o bicho que está levando para casa. O bom jornalista morde!”, avisa.

As maiores dentadas costumam ser em autoridades públicas. O ex-ministro das Comunicações Sergio Motta, morto em 1998, foi um breve desafeto. Paulo Henrique comandava o Jornal da Band, em 1997, e certa vez discordou em público do ministro, que falava sobre as propostas do Ministério. Tempos depois, Motta o interpelou num restaurante, em São Paulo, acusando-o de não conhecer o tema. No fim, fizeram as pazes e tornaram-se grandes amigos.

Da Band, ele saiu batendo portas. “A Bandeirantes rasgou o contrato que tinha comigo. Desrespeitou cláusulas, mudou o horário do jornal sem me avisar”, diz. Paulo Henrique processou a emissora, ganhou em primeira instância, mas acha que o juiz deu pouco. “Quero tirar o último centavo a que tenho direito”, enfatiza. Enquanto esteve lá, houve lances ousados. Certa vez, para temor de sua equipe, decidiu colocar 20 minutos de um discurso do senador Pedro Simon com críticas ao então ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros no ar – uma enormidade para televisão. Deu certo, a audiência subiu.

Em questão de segundos, o jornalista muda de assunto. Fala da filha, Maria, e da mulher, Claudia, artista plástica. Com as duas faz palhaçada, imita pessoas, fala mal dos outros. “Se me der corda eu não paro. Imito todo mundo”, conta. Fora da redação, ele lembra, o assunto nem é jornalismo, mas música, poesia, os cachorros, e bobagens do dia-a-dia.

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