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21/04/2003

   
 
Fotos: Leandro Pimentel
Quando chegou ao Rio, Elisa se apresentava em praias e bares e vendia poesias escritas em folhas
de papel. Numa ocasião vendeu 80
de uma vez:
“Parecia uma feira. Ganhei mais que o couvert artístico do bar”, lembra
Fotos: Leandro Pimentel
Elisa: vítima de racismo dentro e fora do País

 

Carreira / Elisa Lucinda
Olhar de poetisa na tevê
Cantora, atriz e autora de oito livros,
ela vive seu primeiro papel de destaque
na tevê em Mulheres Apaixonadas e fala
do preconceito que sofreu por ser negra

Carla Felícia

 

Quando saiu de sua cidade natal, Vitória, no Espírito Santo, rumo ao Rio de Janeiro, aos 28 anos, Elisa Lucinda, deixou para trás a carreira de jornalista por um sonho: tornar-se uma grande atriz. Assim que a carreira se consolidasse, poderia aventurar-se num desejo mais distante: publicar seus poemas, outra grande e antiga paixão. Mal sabia ela que aconteceria justamente o inverso. Hoje, 17 anos depois da chegada ao Rio, Elisa é uma das mais famosas poetisas do País, com oito livros publicados. E só agora está fazendo seu primeiro trabalho de destaque como atriz. Em Mulheres Apaixonadas, ela vive a cantora Pérola. “É o papel mais importante da minha vida”, acredita ela, que havia feito dez filmes e peças, além de participações em outros programas.

Elisa se diz surpresa com o público. É parada nas ruas quando sai para passear pelo Jardim Botânico, bairro da zona sul do Rio para onde se mudou há três meses com o marido, o psiquiatra José Ignácio Xavier, e o filho de seu primeiro casamento, Juliano, de 21 anos. A pergunta que mais ouve nas ruas é se seus olhos verdes são de verdade. “Ninguém acredita, mas na minha família todos têm esses olhos”, conta a mulata de voz rouca, que acredita ser a síntese do Brasil. “Sou uma mistura de africano, português e índio.”

Mas ser negra, motivo de orgulho, já fez Elisa sofrer. Das muitas vezes que foi ao Exterior participar de festivais de poesia, não esquece a visita que fez a Portugal, em 1988. Lá, viveu uma das situações mais constrangedoras de sua vida. Um amigo queria lhe apresentar a um português que desejava conhecê-la. Ao encontrá-la pessoalmente, mudou de atitude. Fingiu estar passando mal para não cumprimentá-la. “Por que não me contou que ela era negra?”, indagou ao amigo minutos depois.

No ano seguinte, em Caxias do Sul (RS), Elisa ficou meia hora num restaurante esperando ser atendida. Até que o garçom explicou: “Não servimos negros”. Ela ficou tão desesperada que atirou pratos no chão e pensou em ir à delegacia. Em vez de se engajar em movimentos negros, porém, prefere lutar contra a discriminação usando seu trabalho. “Não gosto de guetos, prefiro tentar fazer com que, através de mim, o negro tenha mais visibilidade.”

E foi isso que ela conseguiu antes mesmo de aparecer na tevê, levando seus versos para os palcos, em forma de espetáculo. “Elisa batalhou pelo espaço que tem hoje, não ficou esperando. Nunca dependeu dos outros, como também nunca se entregou ao preconceito”, diz a atriz e amiga Zezé Polessa, madrinha de seu filho.

Quando chegou ao Rio, os palcos de Elisa eram as praias
e bares, onde se apresentava depois das aulas de teatro.
Ao fim de cada show, vendia suas poesias avulsas, escritas em folhas de papel. Uma vez, em uma só noite, vendeu 80, pelo equivalente a um real hoje. “Parecia uma feira. Ganhei mais que o couvert artístico do bar.” Orgulhosa, ela conta que desde essa época consegue viver só de poesia. Em 1992, passou a confeccionar livros artesanais. “Devo ter vendido uns mil exemplares dessa forma”, calcula. O sonho
de ser contratada por uma editora só aconteceu dois anos depois, com a ajuda de um admirador ilustre: o publicitário Mauro Salles. “Até hoje, ele é meu conselheiro literário”, conta ela, que deve lançar mais dois livros este ano e
estrear novo show em maio, no Rio.

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