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21/04/2003

   
 
Raphael Dalavigna
“Queria só passar no fundo, para minha mãe me ver no cinema”, diz Ailton Graça sobre Carandiru. Abaixo,
o ator americano
Denzel Washington
Divulgação

 

Cinema / Ailton Graça
O Denzel Washington brasileiro
Escolhido entre 2.700 pessoas, ator que faz traficante dividido entre duas mulheres em Carandiru foi mestre-sala da Gaviões da
Fiel e sobrevive como fiscal de lotação

Mariane Morisawa

 

“E o Denzel Washington brasileiro!”, disse o cineasta Fernando Meirelles ao assistir Carandiru, de Hector Babenco. De fato, Ailton Graça lembra num gesto ou num sorriso o ator americano. Mas seu primeiro personagem no cinema é inegavelmente brasileiro. Majestade é um traficante malemolente, que se divide entre duas mulheres.

O ator de 38 anos nunca imaginou que conseguiria o papel. Após dez anos longe do teatro, ele havia voltado a “brincar”, como se refere a atuar, fazia apenas um. Ficou sabendo dos testes como outras 2.700 pessoas. “Queria só passar no fundo, para minha mãe me ver no cinema”, conta, entre risos. Ganhou um dos papéis de mais destaque do filme. “Ele é muito generoso, cativante e tem garra”, diz Sergio Penna, preparador de elenco de Carandiru.

Nascido no Jardim Miriam, bairro da periferia de São Paulo, desde pequeno Ailton costumava montar espetáculos para as primas verem. Descobriu o teatro na adolescência, quando começou a trabalhar no Hospital do Servidor Estadual. Fazia peças para os doentes e se apaixonou. Dividia-se entre cursos de circo e teatro, que não deixavam muito tempo para ele trabalhar de verdade. “Instaurei o disque-cartão. Ligava para alguém do hospital e pedia para bater meu cartão e fazer meu serviço”, diz.

Mais tarde, com filho para criar, ele abandonou o teatro para conseguir pagar as contas. Foi palhaço em festas infantis, sacoleiro que trazia tapetes e roupas do Paraguai e camelô. Virou fiscal de lotação, quando o serviço ainda era clandestino. Mas não deixou totalmente a arte. Entrou no Balé Folclórico de São Paulo, onde dançou maculelê e bumba-meu-boi. E deu espaço à sua paixão por Carnaval, iniciada bem cedo – a família tinha uma escola de samba no bairro. “Nunca gostei de ficar na bateria, meu negócio era sambar”, diz. Dá aula para mestre-salas e desfilou na posição na Gaviões da Fiel e na X-9. Essa ginga foi

determinante para ele conseguir o papel de Majestade. Depois de Carandiru, Ailton fez um matador profissional no ainda inédito Contra Todos, de Roberto Moreira, e ensaia montagem de Othello. Sonha deixar o emprego de fiscal de perueiro, que ainda o sustenta. E, se possível, pagar com o trabalho como ator a sonhada faculdade de medicina para o filho, Vinicius. “Se precisar, vou ser palhaço e garçom”, diz.

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