13 de dezembro de 1999
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Edmond Safra
Último grande banqueiro e um dos 100 homens mais ricos do mundo, o dono do banco Republic morre aos 67 anos em incêndio provocado por seu enfermeiro

Foto: Marlene Bergamo/Folha Imagem

O banqueiro e filantropo brasileiro Edmond Safra, 67 anos, foi vítima de uma tentativa desastrada de reconhecimento por heroísmo. Segundo autoridades de Mônaco, onde ele vivia, o incêndio que o asfixiou em um dos banheiros de sua cobertura de 1.000 m2 em Montecarlo na madrugada da sexta-feira 3 foi provocado pelo enfermeiro americano Ted Maher, 41 anos, ansioso por receber atenção e ser reconhecido como herói ao salvar o patrão. "Se quisesse matá-lo, eu teria 10 mil chances por dia", declarou à polícia.

Militar reformado que trabalhava para Safra há cinco meses e recebia US$ 600 por dia, o enfermeiro teria confessado o crime após cair em uma série de contradições. De acordo com a polícia, ele esfaqueou-se duas vezes para simular um ataque, pôs fogo numa lata de lixo e orientou o banqueiro e uma de suas enfermeiras a se trancarem num dos banheiros. A seguir, desceu para a recepção em busca de socorro, alegando que o apartamento havia sido invadido por dois homens encapuzados. Pai de três filhos, de personalidade frágil e usuário de tranqüilizantes, o enfermeiro pode ser condenado à prisão perpétua sob acusação de homicídio.

Nascido em Beirute, no Líbano, de uma família que financiava caravanas de camelos e negociava ouro ainda no Império Otomano, Edmond Safra naturalizou-se brasileiro ao chegar da Itália, em 1951, para onde sua família havia emigrado para escapar de manifestações anti-sionistas. "Amarelo", em árabe, o nome Safra sempre foi associado ao comércio de ouro. Apontado como o 94.o homem mais rico do mundo e acometido pelo Mal de Parkinson - tinha uma equipe de quatro médicos e oito enfermeiros -, Edmond levava uma vida discreta, mas gostava de festas.

Em sua vila na Riviera francesa, ponto de encontro de bilionários de todo o mundo, Edmond recepcionava celebridades como o príncipe Rainier de Mônaco. Em sua casa em Washington, promovia festas freqüentadas pelos homens mais poderosos das finanças e da política americanas. A mudança de homem recolhido para membro do jet set internacional se deu ao casar-se com Lily Monteverde, principal acionista da rede de lojas Ponto Frio e assídua das colunas sociais.

Os dois se conheceram num leilão em Paris, em 1975, quando disputaram lance a lance a posse de um objeto de arte. Edmond venceu, mas ofereceu a conquista como presente e ganhou o coração de Lily, com quem permaneceu casado por 23 anos, sem gerar descendentes. "Meus filhos são os meus bancos", disse ele certa vez.

Irmão mais velho de Joseph e Moise Safra, donos do banco Safra, e considerado um dos maiores banqueiros do mundo pela revista americana de finanças Forbes, Edmond foi vítima de uma campanha de difamação que o ligava a lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico. Colaborou com os investigadores, venceu a ação na Justiça contra seus detratores e doou para obras de caridade o dinheiro que recebeu como indenização. Morreu quando concluía a venda do Republic Bank of New York, que ele criou em 1966, para o grupo HSBC, numa transação que envolve US$ 9,85 bilhões.

Homem de visão para os negócios, ele conquistou clientes e atenção ao distribuir televisões em cores para novos correntistas em 1968, quando começou a expandir os negócios. Com a cobrança dos serviços de seu banco, ele sabia que ao longo dos anos o custo das tevês seria coberto com folga. Ele também investia em sua imagem pública, com a doação de grandes somas para obras filantrópicas, como as da Cruz Vermelha Internacional. "Edmond Safra foi artífice de um império no maior e mais competitivo mercado financeiro do mundo, respeitado por sua competência e genialidade", declarou Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho Superior de Administração do banco Bradesco.

Entre os mais de mil amigos e admiradores presentes ao funeral, que aconteceu na principal sinagoga da cidade suíça de Genebra, a Hekhal Haness, na segunda-feira 6, estavam Javier Perez de Cuellar, ex-secretário-geral da ONU, Vittorio Emanuele de Savoy, príncipe herdeiro da Itália, Sadruddin Aga Khan, príncipe hindu, David Levy, ministro do Exterior de Israel, e o escritor Elie Wiesel, ganhador do prêmio Nobel da Paz.

O ator francês Alain Delon enviou flores. "A morte de Edmond Safra mostra que, infelizmente, a violência é universal", lamentou o presidente Fernando Henrique Cardoso. O corpo foi sepultado no cemitério judeu de Veyrier, nos arredores de Genebra. Deixa a mulher, dois irmãos e três irmãs.

Carlos Hugo Christensen, cineasta argentino que dirigiu A Intrusa, vencedor de quatro Kikitos em Gramado em 1980, morreu na terça-feira 30, no Rio, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos.
Em seus quase 60 anos de carreira, Christensen realizou 48 filmes, a maioria deles no Brasil, para onde emigrou em 1954. Ele morreu sem completar sua última obra, o filme A Casa de Açúcar, feito a partir de um conto da argentina Silvina Ocampo, que vem sendo rodado há três anos mas não tem recursos para sua finalização. Deixa um filho. Seu corpo foi cremado no Cemitério do Caju, no Rio, na quinta-feira 2.

Lysâneas Maciel, um dos maiores nomes da resistência pacífica à ditadura militar, vereador e ex-deputado pelo Rio de Janeiro (PDT), morreu de câncer no estômago na segunda-feira 6, no Rio, aos 72 anos.
Ele estava internado na Casa de Saúde São José, em Botafogo, desde setembro. Advogado mineiro, no período mais repressivo da ditadura militar, nos anos 70, Maciel foi eleito duas vezes deputado federal pelo MDB até ser cassado e exilado pelo regime em 1976. No exílio, foi membro da Comissão de Direitos Humanos e Refugiados da ONU. Seu corpo foi sepultado na terça-feira 7, no cemitério São João Batista, no Rio. Deixa a mulher e três filhos.

 

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