13 de dezembro de 1999
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Maturidade

Vovó é a vovozinha!
Cinco mulheres entre 68 e 84 anos mostram que diversão, dança, aventuras e esportes são opções para quem ainda tem saúde e quer enfrentar o preconceito

Luís Edmundo Araújo

Nuschy, 78 anos, pode ser vista em cima de uma moto de 250 cilindradas nas ruas do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Apesar das idas e vindas, ela não conhece Maria, 84, que gosta de nadar na praia do bairro. Maria percorre 3 mil metros em mar calmo. É um peixe dentro da água. Em terra firme, é Adelaide, 72, quem dá as cartas. Em seu treino diário, ela corre aproximadamente 15 quilômetros. Tem fôlego de criança. Já Clorinda, 73, prefere atividades coletivas. Por isso, optou pelo basquete. Neusa, 68, também gosta de multidões. Desfila pelas madrugadas da Baixada Fluminense, como funkeira. Se escolheram atividades distintas, as cinco mulheres têm em comum a vontade de mostrar que idade não é limite para aproveitar a vida.

A motoqueira

Foto: Leandro Pimentel

A descendente de alemães Nuschy Brandão é motoqueira desde que se entende por gente. Apesar de ter abandonado sua Agrale há três anos, ela ainda anda com o filho adotivo Antônio, 51, que substitui a companhia do marido Raul Brandão, já falecido. Juntos, mãe e filho levaram dez dias para chegar até Pernambucano, há dois anos. A loucura no trânsito das cidades grandes fez com que Nuschy diminuísse seus passeios de moto e optasse por uma Vespa. "Os motoristas não respeitam a gente. Cansei de levar fechadas", diz. Dona de uma loja de artesanato, Nuschy guiava uma antiga Norton até cidades como São Tomé das Letras, em Minas Gerais, em busca de mercadorias. "Antigamente era tudo lama, a moto atolava toda hora", diz ela, que também participou de corridas no antigo circuito de rua da Gávea. Mãe de dois filhos e avó de três netos, ela só tem uma decepção: duas de suas netas têm medo de moto. "Elas não querem nem saber", diz.

A campeã

A paulista Maria Lenk aprendeu a nadar no Rio Tietê, em São Paulo, na época em que a água era limpa. Primeira mulher sul-americana a participar de uma Olimpíada, em 1932, em Los Angeles, Maria Lenk nada uma hora por dia na piscina do Flamengo. E também não dispensa braçadas na água salgada. "Nadar no mar é mais divertido", afirma. Em 15 de novembro, Maria Lenk arrebatou seis medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de Masters, disputado no Rio. Ela foi a primeira mulher a introduzir o nado borboleta, na Olimpíada de 1936, em Berlim. Competindo no nado de peito, aproveitou uma brecha no regulamento para ganhar velocidade jogando os braços para fora da água. Chegou até as semifinais da competição. "Nos anos seguintes, mudaram a regra e criaram o nado borboleta", lembra a viúva, mãe de dois filhos e avó de um neto, todos praticantes da natação. "As pessoas começam a decair fisicamente porque não fazem exercícios."

 

Pontaria afinada

Clorinda Auricchio separa dois dias da semana para os treinos de basquete no Clube Juventus, da Mooca, em São Paulo. "Procuro não faltar", diz. Com 1,63m de altura, é uma das laterais do time. Com quatro filhas e nove netos, Clorinda não é uma estreante na modalidade. Em 1940, com 14 anos, foi vice-campeã dos Jogos Abertos do Interior. A carreira foi interrompida três anos mais tarde, por exigência do pai. "Ele queria que eu tomasse conta da casa", diz. Aos 20, Clorinda se casou e mudou para São Paulo. Há dois anos, já viúva, foi informada que o Juventus queria formar um time veterano. "Às vezes o joelho e o calcanhar doem bastante. Mas em quadra eu esqueço de tudo", conta. Como qualquer jogadora, as cobranças fazem parte do dia-a-dia. E vêm do neto Max Luiz Gimenes, 11 anos. "Ele quer que eu fuja da marcação", diz Clorinda.

Fôlego juvenil

Corredora desde os 56 anos, quando se aposentou como agente da Polícia Federal, Adelaide Dias Coelho acumula no currículo dez participações na Corrida de São Silvestre e outras oito na Maratona de Nova York, além de provas no Chile, França e África do Sul. Divorciada, mãe de dois filhos e avó de quatro netos, só começou a praticar o esporte depois de uma sugestão do filho, Jorge Ricardo, 45 anos. "Meu filho já parou e eu continuei", conta. A primeira maratona, em 1982, Adelaide completou em cinco horas e meia. "Fiz a última maratona de Nova York em 6h19 porque operei o joelho direito este ano", justifica. Em 1996, ela correu a maratona de Boston em abril e, 15 dias depois, participou da prova do Rio. Além da corrida, mantém a forma com três aulas semanais de ginástica e outras três de natação.

Funk na veia

Envie esta página para um amigoNas noites de quinta a domingo, a dona de casa Neusa Ferreira vai ao clube Recreativo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Lá, ela se transforma na Vovó do Funk e dá show no palco. Os bailes começaram a fazer parte da rotina de Neusa em 1985, depois da morte do marido, Albertino. "Não conseguia dormir sem ele e acabei indo para os bailes", diz Neusa. Sem filhos, ela não dispensa a companhia da garotada nos bailes funk. "Não gosto de velho", afirma. A rotina da funkeira é mais pesada no domingo, já que ela não dispensa a missa das 6h. "Já saí direto do baile para a igreja. Só não posso é perder a missa", afirma a funkeira Neusa.

Colaborou Fabio Bittencourt

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