13 de dezembro de 1999
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Fernando Morais - de Paris

O exército particular dos Safra no Brasil
Contratados para dar segurança à família de banqueiros, 150 agentes do Shin Bet israelense foram expulsos do País

Foto: Renato Velasco

A segurança da família Safra quase criou um incidente diplomático no Brasil, em meados de 1997. A Polícia Federal descobriu que viviam irregularmente no País, com vistos de turistas, 150 ex-agentes do Shin Bet, o mitológico serviço de contra-inteligência israelense. Eram todos egressos do Protective Security Department, responsável pela segurança de prédios do governo israelense, de suas embaixadas em todo o mundo, de indústrias ligadas à defesa do país, de instalações científicas e dos vôos da companhia aérea israelense El Al.

E eram todos contratados pelo Banco Safra para garantir a segurança pessoal de Joseph e Moise Safra, de suas mulheres, filhos, genros, noras e netos. Irmãos de Edmond, morto na semana passada em Monte Carlo, Joseph e Moise se apavoraram depois do seqüestro de seu sobrinho, o também banqueiro Ezequiel Nasser, ocorrido em São Paulo. Apesar dos apelos da família ao governo brasileiro, a Polícia Federal ganhou a parada e expulsou os agentes do Brasil. A notícia chegou a circular por algumas redações, mas, a pedido dos advogados da família Safra, ninguém publicou nada. A propósito, o edifício onde Edmond Safra vivia, o "La Belle Époque", era conhecido no principado de Mônaco como "Fort Knox" - nome da casa da moeda norte-americana -, tão rigorosos eram os padrões de segurança do banqueiro.

O banqueiro e o comunista

Dois anos atrás, o escritor português José Saramago convidou um advogado brasileiro, seu amigo, para passar alguns dias em sua casa de Lanzarote, nas Ilhas Canárias. O advogado comentou o assunto com Edmond Safra, que, apaixonado pela obra de Saramago, pediu para ir junto - e ofereceu seu jato para fazerem a viagem. Quando Saramago soube da notícia, pediu ao amigo que cancelasse a viagem usando um argumento irrespondível. "Por favor, Fulano, não me traga esse gajo aqui", pediu o escritor. "Eu sou comunista, como é que vou explicar aos meus camaradas do partido que estou confraternizando com um dos maiores banqueiros do mundo?"

Enterro de luxo no Brasil

Decididamente, o prestígio do Brasil não está lá essas coisas entre os iranianos. Há duas semanas, o Conselho Supremo do Islã, órgão máximo da revolução naquele país, condenou a cinco anos de prisão o mulá Abdullah Nouri, ex-ministro do Interior e editor do jornal de oposição Khordad, acusado de fazer "propaganda anti-islâmica". Um dirigente da oposição iraniana exilado em Paris revelou que Abdullah Nouri recebeu a oferta de um "enterro de luxo" como alternativa à prisão: uma embaixada na América Latina. No Brasil, por exemplo, sugeriram. Abdullah Nouri preferiu mofar cinco anos no xadrez.

 

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