13 de dezembro de 1999
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Exposição - Audiovisual

Chivas Synergies Art
Mostra traz a vanguarda britânica e brasileira da videoarte

Paula Alzugaray

Nos vídeos da inglesa Tracey Emin, 37 anos, ficamos sabendo o nome dos homens com quem ela já dormiu, que ela fez vários abortos, fuma Marlboro Lights, foi violentada em 1977, gosta de David Bowie, foi alcoólatra, lê a revista Time.

Os trabalhos de Tracey têm produzido no circuito internacional das artes um efeito similar ao que a transmissão on line de sexo, partos e privacidade produz na Internet. Com um trabalho literalmente autobiográfico, Tracey tem feito tanto barulho na imprensa inglesa - tornando-se inclusive assunto dos tablóides sensacionalistas - que chegou até a ser comparada a Andy Warhol, o primeiro artista a tornar-se uma "personalidade da mídia", nos anos 60.

Tracey Emin integra a mostra Chivas Synergies Art - Imagem em Movimento, que reúne na Casa das Rosas, em São Paulo, trabalhos audiovisuais de três artistas britânicos - Tracey, Mat Collishaw e Sam Taylor-Wood - e dois brasileiros - Carlos Nader e Eder Santos. Em comum, os trabalhos usam a imagem em movimento, captada em vídeo e Super 8. "O vídeo é muito utilizado neste fim de século. A videoarte existe há 20 anos, mas só agora chega aos museus", diz Isabella Prata, coordenadora do projeto. "Na Inglaterra não é muito diferente", diz Mat Collishaw. "O público está habituado a ver Modiglianis no museu e vídeos na televisão, mas não gosta de ver vídeo em museus." Os três ingleses não são só videoartistas. Eles participam da polêmica exposição Sensation, atualmente no Brooklyn Museum, em Nova York (que virou debate político protagonizado pela ameaça de censura do prefeito Rudolph Giuliani), com fotografias e instalações. Mas trazem ao Brasil vídeos que convidam o espectador a conhecer sua intimidade. Em Encontro às Cegas, Collishaw, 33 anos, põe uma venda nos olhos em seu apartamento em Londres e viaja até Madri para ver Las Meninas, de Velásquez. Só tira a venda durante os três minutos de contemplação da pintura e volta para casa vendado. Fica uma inquietação: que "filme" teria sido projetado diante de seus olhos durante as 36 horas no escuro? O vídeo Hysteria, de Sam Taylor-Wood, 32 anos, ganha um interesse especial quando conhecemos as condições em que foi feito. A imagem de uma mulher que vai da gargalhada às lágrimas foi produzida no ano em que a artista viveu situações extremas: do nascimento do filho a um diagnóstico de câncer. Tracey Emin relata a dor do aborto em Homage to Edvard Munch and All my Dead Children.

Os brasileiros convidados são genuínos representantes da videoarte. O paulista Carlos Nader, 35 anos - conhecido no Brasil pelo documentário O Beijoqueiro, apesar de expôr mais no exterior do que aqui -, participa com a instalação Vento Luz II, em que a imagem de um bailarino é projetada em um ventilador. O depoimento pessoal também está em A Europa em 5 Minutos, do mineiro Eder Santos, 39 anos, uma espécie de diário de viagem. Montado com fragmentos de Super-8 filmados em 14 países, o vídeo brinca com a idéia da produção caseira e é uma contribuição bem-humorada nesta sinergia audiovisual entre Brasil e Inglaterra.
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Até 19 de dezembro - Casa das Rosas - av. Paulista, 37 - SP

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