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16/09/2002

   
 
Leandro Pimentel
“Sou o vingador de Auschwitz, proclamando a mistura das etnias e o Brasil como a grande esperança”, diz Jorge Mautner

 

Música / Jorge Mautner
O errante da MPB
Poeta e compositor carioca lança CD em
parceria com Caetano Veloso e considera-se
um “ser errado” por fazer o que gosta e não
ser compreendido

Eduardo Minc

 

Compositor, cantor e escritor, Jorge Mautner gosta de dizer que é um exemplo vivo da mistura de raças que tanto valoriza. Aos 61 anos, filho de judeus austríacos e criado por uma negra ialorixá que o ninava em terreiros de umbanda, ele é o primeiro a brincar com essa diversidade. “Meu pai dizia que nasci todo errado”, diz, assumindo que o raciocínio de Paulo Mautner, o pai já falecido, tem norteado sua vida. “O ‘ser errado’ é fazer o que gosto, mesmo sendo incompreendido”, diz. Entre sessões de Tai Chi Chuan na praia do Leblon (RJ) e o tempo gasto tocando o violino que ganhou de Gilberto Gil, Mautner lançou Eu Não Peço Desculpa, em parceria com Caetano Veloso.

Com fama de maldito desde o início da carreira, em 1958, o autor de “Maracatu Atômico” agradece a chance de ser reconhecido pelo grande público. “O Caetano deu a oportunidade de me mostrar como intérprete”, diz. A amizade, iniciada no exílio de ambos em Londres, em 1970, facilitou as gravações. Para descontrair o ambiente e estimular a criatividade, Mautner ironizava os costumes judaicos: “Contava piadas de rabinos. Assim, fazia vir à tona um Caetano que ainda é genial”.

Ao contrário do parceiro, pouco afeito a falar da idade, Mautner se orgulha de chegar aos 61. A idade, aliás, não o impediu de contrariar os médicos e, há um ano, passar a fumar cinco cigarros por dia. “É pra mostrar que ainda tenho saúde para esbanjar”, diz, casado desde 1968 com Ruth e pai de Amora, 27. “Eu o vi pela primeira vez numa palestra em 1970 e fiquei impressionado com sua eloqüência. Passei a participar de seus grupos de estudos e me considero um discípulo do Kaos do Jorge”, diz Nelson Jacobina, maior parceiro de Mautner nas composições.

Autor de Mitologia do Kaos, o cantor já deu aulas voluntárias de filosofia e literatura na rede pública, em São Paulo, nos anos 80. “As crianças me chamavam de tio e adoravam quando falava de Homero”, diz, referindo-se ao autor grego. Voltar a lecionar está em seus planos. Por enquanto, Mautner segue por aí, difundindo suas idéias. “Sou o vingador de Auschwitz (campo de concentração nazista na Polônia), proclamando a mistura das etnias e o Brasil como a grande esperança.”

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