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16/09/2002

   
 
André Durão
“Um filme ou uma novela não bastam para fazer de ninguém um ator. É preciso estudar’’
Fátima Toledo

 

Cinema /Fátima Toledo
Ela constrói atores
Depois de Pixote e Central do Brasil, a principal preparadora de elenco do País colhe elogios pela atuação dos garotos de Cidade de Deus

Mariane Morisawa

 

Por trás da excelente atuação do elenco de Cidade de Deus, recrutado em comunidades carentes do Rio, está Fátima Toledo, a pioneira preparadora de atores, ou coach, do Brasil. “Ela é uma bruxinha do bem”, diz Phelipe Haagensen, que interpreta Bené no filme. “Se não fosse por ela, não rolaria”, afirma, modesto, Leandro Firmino da Hora, que faz Zé Pequeno.

O currículo impressiona. A maior parte das crianças no cinema nacional foi preparada por Fátima: Fernando Ramos da Silva em Pixote – A Lei do Mais Fraco, Vinicius de Oliveira em Central do Brasil, Eunice Baía em Tainá. Não só. Ela trabalhou com iniciantes, como Vanessa Goulart e Luciana Brasil em Dois Córregos, e atores experientes, como Stênio Garcia em Brincando nos Campos do Senhor. Mas foi um longo caminho até ser reconhecida numa profissão que praticamente não existe no Brasil.

Nascida em Maceió, Fátima Toledo, 49 anos, se mudou para São Paulo aos 12 anos. Interessou-se por teatro durante a faculdade de Comunicação Visual e passou a dar aulas a menores infratores na Febem. “Um dia, chegou um garoto, que todos começaram a xingar de gay. Ele tirou uma gilete do céu da boca e se cortou”, conta ela. Apesar de desgastante, foi o trabalho na Febem que a levou a descobrir sua vocação. Procurando ajuda para Pixote, Hector Babenco encontrou Fátima, que propôs às crianças chegar aos personagens a partir da imitação de animais. Ali começava a nascer seu método, hoje registrado. Pixote foi um filme-escola, como ela diz, também porque ensinou a ter mais cuidado com a evolução desses meninos. “Um filme ou uma novela não bastam para fazer de ninguém um ator. É preciso estudar”, diz Fátima. E nem todo mundo pode ser transformado em ator. “Se a pessoa não tiver a sensibilidade para viver num mundo imaginário, não tenho como tirar isso dela”, afirma.

Depois de Pixote, ela ficou dez anos longe do cinema, até que Hector Babenco a chamou para ajudar os índios de Brincando nos Campos do Senhor. Ela percorreu tribos do Norte do País durante dois meses, comendo macaco e dormindo em folhas de bananeira, e, graças a isso, pôde entender melhor esse universo e preparar tanto índios quanto o veterano Stênio Garcia. Por causa de sua experiência na área, foi chamada para o hollywoodiano Medicine Man – O Curandeiro da Floresta, com Sean Connery.

Aos poucos, consolidou seu nome no meio cinematográfico brasileiro e conquistou vários diretores: Walter Salles, de Central do Brasil, Carlos Reichenbach, de Dois Córregos e Aurélia Schwarzenêga, que está sendo rodado em São Paulo, Alain Fresnot, de Desmundo. “Ela me entrega o personagem, não o ator. É uma mão na roda”, conta Reichenbach.

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