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16/09/2002

   
 
Edu Lopes
Ela escreveu livro sobre os maiores serial killers do mundo e agora ajuda o delegado João Roque Américo a achar o Maníaco de Guarulhos
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Ricardo StuckertCaçadora de serial killer
Ricardo Stuckert Galeria de matadores

Números do medo

82% dos serial killers sofreram abusos na infância

5% dos serial killers estavam mentalmente doentes no momento dos crimes

De 35 a 500 é o número de serial killers soltos

93% dos serial killers são homens

65% das vítimas são mulheres

75% dos serial killers conhecidos no mundo estão nos Estados Unidos

Fontes: FBI, John Douglas e Nacjd (National Archive of Criminal Justice Data)

 

Crime /Iliana Casoy
Caçadora de serial killer
Sobrinha de Bóris Casoy, a escritora lança livro sobre os maiores serial killers do mundo, prepara a versão brasileira do tema e investiga, junto com a polícia, os crimes do Maníaco de Guarulhos

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Rodrigo Cardoso

 

A dona-de-casa Cleonice Silva Martins, 25 anos, foi encontrada estrangulada com um pano de prato amarrado ao pescoço. Apresentava sinais de que havia sido vítima de violência sexual. Nenhum vizinho ouviu pedidos de socorro. Ao chegar em casa, o marido de Cleonice a encontrou deitada na cama seminua e notou que haviam sumido o videocassete e o telefone. O crime aconteceu em Guarulhos, na Grande São Paulo, e teve tímida repercussão em alguns jornais paulistas. Intrigada, a escritora Ilana Casoy ligou para o delegado João Roque Américo, que cuida do caso. Após apresentar-se, ela afirmou:

– Não foi um simples latrocínio (morte seguida de roubo). A vítima era o objeto do criminoso. Faça uma pesquisa nas delegacias daí. Ou há casos semelhantes ou outros irão acontecer.

– Não há outros casos. A taxa de homicídios caiu – disse o delegado.

– Doutor, esse tipo de crime não tem nada a ver com a violência urbana. Tem um serial killer agindo por aí e as mortes que ele causa estatisticamente não são relevantes.
Sobrinha do apresentador da Record Bóris Casoy, Ilana falava com conhecimento de causa. Autora do livro Serial Killer – Louco ou Cruel? (editora WVC), ela é a primeira no País a relatar a insana crueldade de 14 famosos assassinos em série do mundo e levantar questões sociais, biológicas e psicológicas que explicam a transformação de um indivíduo normal em assassino que mata a sangue frio e sem uma razão lógica.

Dias depois do telefonema de Ilana, a polícia de Guarulhos descobriu outros seis crimes com as mesmas características, além de duas vítimas que sobreviveram a um ataque parecido ao de Cleonice. Divulgou um retrato falado daquele que passou a ser conhecido como Maníaco de Guarulhos. A escritora foi chamada para uma reunião com as autoridades e, ao final, passou a viver na vida real o que sempre pesquisou em livros. Estava, junto da polícia, à caça de um serial killer. “Anotei várias dicas da Ilana. Vamos trabalhar juntos no caso”, diz o delegado João Roque. “Nossa polícia não está preparada para investigar um criminoso violento como o serial killer. Há uma resistência em aceitar a existência dele, porque o mitificam como uma figura hollywoodiana.”

Aos 42 anos, casada e mãe de dois filhos, Ilana formou-se em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e sempre se intrigou com os homicídios que lia nos noticiários. “Não me satisfazia saber que fulano matou 10, escalpelou e praticou necrofilia com a vítima”, diz ela. “A crueldade é inerente ao ser humano. Mas por que nesses assassinos ela é exacerbada, sem limite ou censura?”

Disposta a buscar respostas, fez um pedido ao marido quando estava com 39 anos e 11 meses. Em comemoração ao 40º aniversário queria como presente um ano de aluguel pago de uma pequena sala próxima de sua casa. Queria se afastar do ambiente familiar para realizar o sonho de escrever um livro sobre serial killers. Ilana ganhou o aluguel da sala e nela passou a almoçar, pesquisar, debater via internet em grupos de discussões internacionais, e chorar algumas vezes. Compaixão, raiva e impotência a emocionavam. Ao iniciar as pesquisas pela infância do serial killer, sentia pena do menino, referia-se a eles pelo primeiro nome. Conforme o espírito pueril dava lugar ao demoníaco, o semblante e o tom de voz da escritora mudavam: “Da criança tinha pena. Do serial killer, ódio”.

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