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Entrevista

16/09/2002

   
Jayme de Carvalho JR.
Zeca Baleiro chega a seu quarto disco e afirma que, no Brasil, o artista nunca está tranqüilo: “Se paro de tocar, não sobrevivo”
CONTINUAÇÃO

muito bonito ver a platéia cantando “Lenha” inteira. Virou obrigatória, é minha “Travessia”, minha “Andança”"

Dez anos é seu tempo de casado. Como você é como marido?
• "Voto no Lula e assumiria qualquer compromisso pelo homem."

 

Zeca Baleiro
“É opressivo ter que ser como Caetano”
Cantor e compositor maranhense diz
que a associação à geração tropicalista
oprime os artistas e compara o rótulo
MPB a uma camisa-de-força

Dirceu Alves Jr.

 

Zeca Baleiro, 36 anos, morre de medo de cachorro. “Quase fui trucidado por um quando criança”, justifica o cantor e compositor maranhense. Ele conta que costumava voltar de suas noitadas a pé por São Paulo e aumentava o caminho para chegar em casa sem passar por residências com placas de “cuidado com o cão”. E o quarto CD de Zeca acaba de ser lançado justamente com o título de Pet Shop Mundo Cão, uma saraivada crítica contra nossa feroz realidade que preocupa o pai de Vitória, 4, e Manoel, 2, frutos de seu casamento com a fotógrafa Mara Fernandes, 38. Nascido José Ribamar Coelho Santos, ele passou a infância em Arari, a 150 quilômetros de São Luís. Lá, absorveu as influências nordestinas, que, hoje, costuram seu trabalho. Envolvido com o CD, que vira show em outubro, Zeca tem tido pouco tempo para ficar com a família e passear pelas ruas do Alto de Pinheiros, em São Paulo, onde mora, com seu cãozinho lhasa apso. E o medo de cachorro? “Ah... Com ele, eu até brinco”, confessa.

Depois de quatro CDs, já dá para
relaxar financeiramente?

(Risos.) No Brasil, você nunca está tranqüilo mesmo sendo um artista, digamos, consolidado. Se páro de tocar, não sobrevivo. CD só dá dinheiro se vender milhões. Por outro lado, tenho consolos. Lógico que vivo melhor, mas ainda preciso matar mais do que um leão por dia.

Como é lidar com a interferência da gravadora? Você tem autonomia para fechar um repertório?
Nunca sofri interferência. A única “concessão” que fiz foi gravar “Lenha”. É uma música trivial, nunca gostei. Só que a Rita Ribeiro gravou e foi sucesso. O Mazolla, meu produtor, disse que eu também deveria cantar. E “Lenha” virou um hit.

Hoje, você ainda não gosta dela?
Não é uma grande canção, mas é muito bonito ver a platéia cantando “Lenha” inteira. Virou obrigatória, é minha “Travessia”, minha “Andança”.

As letras do CD são quase todas muito críticas, ácidas. É um reflexo do seu momento?
Estou revoltado, cético. Não acho que o mundo da forma como ele está hoje, tão tenebroso, possa esperar outra coisa da gente. Vamos envelhecendo e reconhecendo a maldade, perdendo a esperança.

Você é pai de dois filhos. O futuro deles assusta você?
Se eu fosse sozinho, talvez o CD não tivesse esse acento. Penso demais em como vão estar as coisas daqui a 20 anos, quando meus filhos forem adultos. Não me preocupo apenas com ecologia, mas com valores. Será que o que passo para eles vale a pena? O que fica de mim neles?

Sua vida mudou muito depois que eles nasceram?
Talvez tenha me tornado mais conseqüente. Era porra-louca. Há 10 anos, não pensava no amanhã.

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