22 de novembro de 1999
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José Flores de Jesus (Zé Kéti)
O autor da marchinha "Máscara Negra" morreu aos 78 anos, de complicações renais e pulmonares

Foto: Marco Aurelio Olimpio

O sambista conhecido pela timidez, tão quieto que ganhou o apelido Zé Kéti (abreviação de Zé Quietinho), morreu em silêncio no domingo 14, de parada cardíaca, aos 78 anos. Considerado o último dos grandes sambistas da velha guarda, o cantor e compositor estava internado desde 25 de outubro no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Ordem Terceira da Penitência, no Rio, por problemas cardiovasculares. "Sua importância foi juntar o pessoal da zona sul do Rio com o do morro", explica o amigo e produtor J. C. Botezelli, o Pelão. Filiado à escola de samba Portela, Zé Kéti teve sua primeira composição gravada aos 25 anos, em 1946. Começava uma seqüência de sucessos que trouxe à música popular brasileira clássicos como "Máscara Negra", "Diz que Fui por Aí" e "A Voz do Morro", além de ter participado do musical Opinião, na década de 60, ao lado de Nara Leão e João do Valle.

Foram quase 300 composições, que, todavia, não o livraram da miséria. Isso porque, no começo da carreira, era um compositor de morro em uma época em que isso era estigma social. Mais tarde, porque nunca conseguiu coletar os direitos autorais pelas milhares de execuções da marcha-rancho "Máscara Negra" em bailes de Carnaval ao redor do Brasil. Os repasses de direitos autorais eram em torno de R$ 1,5 mil. "Meu pai morreu pobre, num apartamento minúsculo onde ele não podia mais morar", diz Geisa, filha de Zé Kéti. Segundo ela, o pai sobrevivia com uma aposentadoria que recebia pela função de escriturário. Hipertenso, debilitado por arteriosclerose, nos últimos anos Zé Kéti ocupava-se vendo tevê o dia todo. Seu corpo foi sepultado no domingo 14, no cemitério de Inhaúma. Deixa cinco filhos e 200 composições inéditas, à espera de quem queira gravá-las.

Jacobo Timerman, o jornalista argentino cuja detenção e tortura por forças militares nos anos 70 gerou protestos ao redor do mundo, morreu na quinta-feira 11, de ataque cardíaco, em sua casa em Buenos Aires, aos 76 anos.
A prisão do jornalista durante a chamada "guerra suja" levou-o a escrever o livro Prisioneiro sem Nome, Cela sem Número, o que apressou o fim do regime que assumiu o controle da Argentina em 1976. A acusação dos militares é de que ele faria parte de uma conspiração judeu-marxista contra o regime. Aos 5 anos de idade, em 1923, Timerman havia sido obrigado a abandonar a Ucrânia, país onde nasceu, para escapar dos campos de segregação forçada de judeus, os pogroms. Deixa três filhos e oito netos. O sepultamento aconteceu na sexta-feira 12, em um cemitério privado de Buenos Aires.

Donald Mills, o último sobrevivente do grupo de cantores americano Mills Brothers, que entreteve audiências com suas canções melódicas por mais de seis décadas, morreu no sábado 13, aos 84 anos.
Apesar de sofrer discriminação por ser negro, "Don" e seus irmãos eram tidos como um dos grupos vocais mais influentes dos Estados Unidos. Ele participou de 2.246 gravações, que lhe renderam 36 discos de ouro e mais de 50 milhões de cópias vendidas. Don cantou ao lado de Bing Crosby e Dean Martin em canções como "You're Nobody's Sweetheart Now" e "Cab Driver". Deixa seis filhos, 21 netos e 18 bisnetos.

 

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