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05/08/2002

   
 
Leandro Pimentel
“Não penso em quem não votou em mim”,
diz Paulo Coelho, que não teme ser discriminado
na Academia
 
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O mercado venceu
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Entrevista
Paulo Coelho:
“Por muito tempo
meus leitores ouviram agressões tolas”
Entrevista
Hélio Jaguaribe:
“A ABL não
me interessa mais"

 

Capa / Paulo Coelho
“Por muito tempo meus leitores ouviram agressões tolas”

 

Na quinta-feira 1º, Paulo Coelho sentirá, pela primeira vez, o gostinho de pisar na ABL como imortal. O escritor tomará chá com os outros acadêmicos e irá anunciar o orador e a data de sua posse, marcada para dia 28 de outubro, dia de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis.

Ingressar na Academia foi um desafio ou uma vaidade?
Um desafio. Mas não foi o maior deles, que é viver o dia de amanhã. Na minha vida literária o maior desafio foi escrever meu primeiro livro. Achei em determinado momento que, se eu tinha esse sonho de entrar para a ABL, porque não correr o risco? Nada foi fácil na minha vida. Graças a Deus, porque isso te faz valorizar as conquistas. E acho que tudo que você faz, em algum momento é movido por uma vaidade. Não acho que é um sentimento negativo. Pode ser muito superficial e virar soberba, mas também pode ser uma força que te empurra adiante. Venci um desafio, como qualquer eleição. Venci um candidato digno, com exceção do detalhe do Celso Lafer, que tenho certeza não foi coisa do Hélio.

Teme ser discriminado na ABL?
De jeito nenhum. Nem penso em quem não votou em mim. Se achasse que havia essa possibilidade não teria nem me candidatado.

Sua entrada é um marco na instituição?
Não. Cada acadêmico que entra é um marco na história da Academia. Acho que todas as pessoas que estão ali sofreram resistências. Não se chega ali impunemente.

Mas a resistência ao seu nome foi muito grande.
A ABL tem a tradição da unanimidade, os votos são queimados. Uma vez vencida a eleição, acho que todos são companheiros. Não acho que aqueles que não votaram em mim não gostem de mim.

Acredita que irá calar a crítica com sua eleição?
A crítica nunca foi a minha preocupação. Eles vão continuar agindo como sempre agiram, eu vou continuar agindo como sempre agi e viveremos todos felizes. Minha entrada na ABL pode ser uma pergunta e não uma resposta. Em momento algum, quando quis me candidatar, estava pensando nos críticos. Os caras falam porque têm que achar uma explicação para o meu sucesso, eles não podem estar errados nunca. Dizem que não é bom ou que o povo é burro. Ou que eu tenho marketing.

Hélio Jaguaribe diz que foi a vitória do marketing. O que acha disso?
Imagina, um autor brasileiro. Hoje, é fácil. Mas imagina entrar para a lista dos mais vendidos na França. Foi boca a boca e isso é a única coisa que funciona. Por isso, minha entrada na ABL não é só uma vitória minha, mas de todos os meus leitores, que por muito tempo tiveram de ouvir um tipo de agressão totalmente tola. Quem era contra mim agora vai dizer, por implicância, que a ABL não sabe escolher. É melhor tirar essas pessoas da cabeça do que tentar convencê-las. Nem quero. Acho que meu trabalho tem que ser polêmico porque é justamente essa polêmica que faz da minha eleição para a ABL um evento internacional.

Considera-se um bom escritor?
Muito bom. Desenvolvi um estilo e acho a minha literatura muito moderna. Não há por que fingir uma falsa modéstia. Um bom escritor para mim é aquele que coloca a sua alma e sabe se expressar.

A tentativa de entrar para a ABL foi a maior resistência que enfrentou?
A pior resistência foi em agosto de 1990 quando publiquei Brida e ninguém nunca tinha escrito uma linha sobre mim e eu já tinha vendido meio milhão de livros. Era totalmente ignorado. Não houve uma crítica gentil a mim. Quem sobreviveu a 1990, supera qualquer coisa. A partir daí foi minando a resistência e a eleição foi um exemplo disso. Ingressar na ABL é um símbolo da minha vitória.

Qual sua opinião sobre Hélio Jaguaribe?
Acho Jaguaribe excelente. Li muitos artigos dele, conheço sua biografia. E ele fez muita coisa pelo Brasil. Nem acho que o venci. Não é uma coisa de ganhar ou perder. A circunstância foi essa.

Sente-se invejado?
Não penso nisso. Acho que a inveja só existe no momento em que você a aceita. Não faz parte do meu universo.

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EDIÇÃO 157
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FÓRUM
Paulo Coelho foi eleito membro da ABL por estar na lista dos mais vendidos em todo o mundo, mas a crítica sempre perseguiu o mago. E você? Lê Paulo Coelho? O que pensa a respeito? Dê sua opinião
 
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