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Reportagens

05/08/2002

   
 
Fotos: divulgação
“No Paris-Dakar, na categoria caminhões, tenho concorrentes de até 60 anos. Até esta idade, espero estar competindo’’ André Azevedo, 43 anos
 
 
Fotos: divulgação
André teve de consertar seu caminhão trabalho

 

Esporte / André Azevedo e Kléber Kolberg
Aventura no Sertão
Dupla que compete no Paris-Dakar desde 1988 é destaque entre os 1.100 competidores do Rally dos Sertões, prova que cruza o Brasil de
Goiás ao Ceará

Luís Edmundo Araújo, de Janaúba (MG)
Colaborou Cesar Guerrero

 
Fotos: divulgação
“Onde passamos competindo estamos acelerando. Não dá para notar nada”, diz Kléver, competidor do rally dos Sertões desde 1997

São 4.400 km percorrendo o coração do Brasil. Em nove dias de viagem, de Goiânia a Fortaleza, 1.100 pessoas em 214 veículos, entre motos, carros, caminhões e quadriciclos, cruzam o cerrado e o sertão do País. Pode parecer fácil para quem já competiu no rally Paris-Dakar, mas a versão brasileira, o Rally dos Sertões, que começou no dia 25 de julho e está na sua décima edição, é pura aventura para Kléver Kolberg, 40 anos, e André Azevedo, 43. “Antes era até mais perigoso que o Paris-Dakar, podia ter animais na pista num trecho ou obstáculos não previstos nas planilhas”, diz André, com a experiência de quem, junto com Kléver, foi o primeiro brasileiro a cruzar o Saara de moto há 14 anos.

Donos da própria equipe, a Petrobrás Lubrax, eles competem nos Sertões desde 1997. Kléver estava no volante, enquanto André era o navegador – decifrava os trajetos da prova. E assim eles foram bicampeões em 1997 e 1998. Há dois anos, André venceu a competição pilotando um caminhão. Histórias e imprevistos não faltam. Este ano, em Goiás, entre Pirenópolis e Caldas Novas, quebrou a tração dianteira do caminhão de André, que teve de consertá-lo no caminho e só chegou a Caldas Novas com cinco horas de atraso. A adrenalina é tanta que eles mal aproveitam a paisagem. “Onde passamos competindo estamos sempre acelerando. Não dá para notar nada, depois, vendo na televisão, a gente fica com vontade de conhecer os lugares melhor”, diz Kléver. Só nos dois primeiros dias do rally aconteceram 13 acidentes nas trilhas estreitas que cortam o cerrado.

Kléver – separado e com dois filhos – e André – casado e pai de duas crianças – eram pilotos de enduro até que, em 1988, decidiram realizar o sonho de participar do Paris-Dakar. Formaram a primeira dupla sul-americana a competir na prova e investiram dinheiro do próprio bolso no projeto. Sem recursos para contratar um caminhão de assistência mecânica, carregavam ferramentas, peças e equipamentos nas motos. Na ocasião, André demorou 24h para completar a etapa que terminava na Argélia, no deserto. Como não tinha mais condições de prosseguir com os demais pilotos, decidiu descansar e passar quatro dias percorrendo o Saara, de moto, sozinho, até Níger, de onde voltou para Paris.

“Há muita miséria no deserto, uma miséria que te deixa mal, são lugares que parecem esquecidos por Deus. Saio do Rally precisando ir para lugares bonitos, ver que o mundo não é aquela miséria que aparece diante da gente dias seguidos”, diz Kléver, o brasileiro com melhores resultados até hoje no Paris-Dakar, com uma vitória e um quinto lugar de moto e um vice-campeonato este ano, de carro. No sertão do Brasil, o clima é outro. Entre Diamantina e Janaúba, em Minas Gerais, eles tornaram-se atração de um bar de beira de estrada enquanto tomavam um guaraná. “Juntou um monte de pessoas querendo tirar foto da gente, isso é muito legal. Aqui, o pessoal que vê as provas é muito alegre, por mais humilde que seja”, conta Kléver.

Após 15 competições no Paris-Dakar enfrentando situações-limite, Kléver e André desenvolveram palestras motivacionais e seminários para empresas. O trabalho começou em 1992, com as palestras “Falando de Aventura” e “Aprendendo a superar os limites”. Mais recentemente, em 1996, eles criaram o “Seminário Rally”, no qual os participantes aprendem como lidar com situações de risco, planejamento estratégico, trabalho em equipe e decisões em conjunto. Nem por isso eles pensam em aposentar o espírito aventureiro. “No Paris-Dakar, na categoria caminhões, tenho concorrentes de até 60 anos. Até esta idade, espero estar competindo”, diz André.

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