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29/07/2002

   
 
Fotos: Reprodução
“Eu ruborizei de vergonha quando eles assobiaram, mas dei uma reboladinha para valorizar’’ Helô Pinheiro, sobre o dia em que inspirou Tom e Vinicius a compor “Garota de Ipanema”
Fotos: Reprodução

 

Carreira / Helô Pinheiro
40 Anos de praia
Quatro décadas após a composição de
“Garota de Ipanema”, a musa de Tom
Jobim e Vinicius de Moraes briga na
Justiça com as famílias dos músicos por
causa do título e sonha em voltar à tevê

Juliana Lopes

 

Ela nasceu no Grajaú, mas foi em Ipanema que, aos 17 anos, fazendo contorcionismos à beira-mar, chamou a atenção de um homem que se tornou imortal na música brasileira. O maestro Tom Jobim ficava num banco observando “a garça que é uma graça”. Assim que Helô Pinheiro, a garça loira e bronzeada, subia pela areia em direção àquele desconhecido, ele sumia, constrangido. Até Tom se juntar a Vinicius de Moraes e compor, há 40 anos, “Garota de Ipanema”, maior sucesso da MPB no mundo, muita água rolou naquele pedaço de praia. Hoje, aos 57 anos, Helô Pinheiro é dona da butique Garota de Ipanema, em São Paulo, mas sonha em voltar à tevê. “É legal trabalhar na loja, mas ah, a televisão...”, suspira. Seu currículo é recheado, principalmente na década de 80, com as novelas da Globo Coração Alado e Água Viva e programas de variedades como Show da Tarde, do SBT. “Fiz faculdade de jornalismo para isso”, diz ela.

André Durão
“Tom me disse que queria casar comigo!”,
conta Helô. Quatro anos depois, ele foi padrinho do casamento dela

De família batalhadora, Helô teve uma vida difícil. Cabelos compridos presos e cadernos na mão, pegava ônibus para os bairros do subúrbio de Padre Miguel e Realengo, onde dava aulas como professora do Estado. Nas férias, ia à praia diariamente. Vinicius chegou a ficar três dias plantado em Ipanema às voltas com copos de cerveja, à espreita da musa: “Olha, Tom, vou desistir de esperar pela sua namorada platônica porque não dá mais para ficar todo dia bebendo aqui”, disse certa vez. Minutos depois, Helô passou em frente ao bar hoje chamado “Garota de Ipanema”. “Eu ruborizei de vergonha quando eles assobiaram, mas dei uma reboladinha para valorizar”, relembra. Os homens no bar passaram a tarde comentando sobre a tal garota e nesse ambiente, em 1962, Vinicius e Tom compuseram a música para Helô.

Na semana seguinte, de ponta cabeça na areia, a musa foi interrompida por Jobim, fiel espectador de suas estripulias. “Ele me disse que queria casar comigo!”, conta Helô, aos risos. “Senti um negócio aqui dentro.” O papo parecia cantada: “Fiz uma música para você, menina. Chama ‘Garota de Ipanema’”, disse ele. “Como é para mim? Não tem o meu nome!”, retrucou Helô. “Mas foi você que a inspirou”, disse-lhe Jobim. A canção se tornou um sucesso internacional, Helô virou uma celebridade e ficou amiga de Tom e Vinicius.

Hoje, sofre por ser musa sem ter escolhido. Com a morte dos dois, que a protegiam, Helô amarga a irônica situação de brigar na Justiça com as famílias dos músicos por causa da homenagem. Em 2001, ela recebeu uma notificação judicial requerendo que ela deixe de usar a expressão “Garota de Ipanema”. “Eles me fizeram, e agora as famílias deles me pisam”, desabafa. “Helô é a garota de Ipanema, não pediu para ser musa de ninguém, como vai negar o que os próprios Vinicius e Jobim disseram?”, indaga o advogado de Helô, Paulo Mariano, especialista em marcas e patentes, que pretende entrar com uma ação indenizatória contra as famílias dos músicos. Procurados por Gente, os advogados dos parentes de Tom e Vinicius não deram entrevista.

Enquanto sonha com um convite para comandar alguma atração “do tipo da Ana Maria Braga”, Helô mora em São Paulo com o marido, o empresário Fernando Pinheiro e o filho Fernando, 20 anos. Por ter sofrido de uma falta de oxigenação no cérebro, ele necessita de cuidados especiais. No mesmo bairro, alto de Pinheiros, moram as mais velhas, Kiki e Jô. Ticiane, a filha modelo, mora no Rio de Janeiro.

Helô e Fernando se casaram em 1966, auge da fama da garota de Ipanema. Ele levou-a para o altar antes que alguma celebridade o fizesse. O casório, no Rio de Janeiro, teve Tom Jobim como padrinho e centenas de fotógrafos empilhados em volta da noiva. A lua-de-mel durou três meses. Os noivos viajaram para os Estados Unidos e Europa. “Pensei que na volta ninguém fosse lembrar de mim”, conta. Na chegada, porém, dezenas de pessoas a aguardavam no aeroporto. Deferência que só as verdadeiras musas merecem.

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Helô Pinheiro briga na Justiça com a família de Jobim e Vinícius pelo direito de usar o título A Garota de Ipanema e desabafa: "Eles me fizeram e agora as famílias deles me pisam". E você? O que pensa a respeito? Dê sua opinão
 
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