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Reportagens

03/06/2002

   
 
Prensa Três
Zico
Sabe aquela pelada que a gente combina com os amigos depois do trabalho? Pois é. Foi assim que Zico encontrou o futebol japonês quando foi chamado para jogar lá, em 1991, no antigo Sumimoto, atual Kashima Antlers. Não só jogar, mas orientar toda a estruturação desse esporte naquele país. Desde como se mata uma bola no peito à construção de estádios. Para se ter uma idéia da dificuldade, no primeiro dia de treino, os japoneses, querendo fazer uma média com o ídolo, foram cada um com uma camisa: do Grêmio, Flamengo, Corinthians, Palmeiras. Zico, então, pacientemente explicou-lhes a necessidade do uniforme de treinamento – que o clube não tinha. “O nível técnico dos jogadores era bem baixo. Tanto que eu, com 40 anos e problemas no joelho, fui artilheiro do campeonato”, lembra, bem-humorado. Como Kashima fica a cerca de 80 km de Tóquio, onde Zico morava, ele tinha que pegar trem até o centro e, de lá, ônibus até o local de treinamento. Cerca de duas horas e meia, se não houvesse engarrafamento. Quando o cansaço era muito, dormia na concentração. A objetividade e disciplina japonesas às vezes jogavam contra. Um dia, Zico tentava explicar a um ponta-direita as três opções para o cruzamento: o centroavante, o ponta-esquerda e o próprio Zico, mais recuado. Foi o que bastou para embolar o meio-de-campo. Confuso, o japonês pediu a Zico que lhe indicasse apenas uma opção. “No início foi difícil mostrar que muitas vezes as jogadas têm de ser criadas na hora”, conta. (Carlos Braga)

 

Copa 2002
Embaixadores da bola no Japão
Os brasileiros que desbravaram o futebol japonês e contribuíram para o crescimento do esporte no país sede da Copa do Mundo

 

Quando o meia da seleção japonesa, Hidetoshi Nakata, domina a bola no campo de ataque e não percebe a aproximação do marcador, seus colegas de equipe gritam em coro: “Tem ladurom, tem ladurom”. Com habilidade, Nakata recua a bola para Junichi Inamoto, o “vorante” do time. A semelhança entre o jargão futebolístico japonês e o nosso não é coincidência. “Eles usam os mesmos termos porque aprenderam com a gente”, diz Oscar Bernardi, 47, capitão do Brasil na Copa 1982 e um dos pioneiros a jogar no Japão, em 1987. Hoje, Oscar e os meio-campistas Alcindo, Carlos Alberto Santos, e Zico, que ajudaram a consolidar o esporte do outro lado do mundo, têm em comum o orgulho de ter acreditado num projeto que deu certo. Há 17 anos, a seleção japonesa não havia participado de nenhuma Copa do Mundo, os jogadores mal sabiam correr com a bola e a tática era um Deus nos acuda. Nas primeiras preleções no Kashima Antlers, Zico estranhava quando via os jogadores anotando o que ele dizia.

O aprendizado valeu. O Japão se classificou para a Copa de 98 na França e hoje tem uma equipe que conta com craques como Nakata, cujo passe estimado em US$ 24 milhões pertence ao Parma, da Itália, e o volante Inamoto, que defende o Arsenal, da Inglaterra. Mas o tempero brasileiro vai estar até na escalação. O meia Alessandro Santos, que foi revelado no Grêmio, naturalizou-se e faz parte do escrete.

OSCAR
Claudio Gatti
Ícones da seleção que encantou o mundo em 1982, Zico e Oscar enfeitiçaram também os japoneses
Para o ex-zagueiro do São Paulo e da seleção brasileira, Oscar Bernardi, de 47 anos, o Japão, em 1987, era bom apenas para fazer relógio, computador e televisão. “Naquela época ninguém podia me contar como era lá. Fui com a cara e a coragem”, lembra. Convidado por um amigo para encerrar a carreira no país, Oscar foi ao Japão para ficar seis meses, mas ficou quatro anos no total. “Jogava no Nissan, que depois passou a se chamar Yokohama Marinos”, conta. “Fui um dos primeiros a chegar. Havia apenas alguns amadores coreanos e chineses”, fala Oscar. Após jogar durante um ano, o brasileiro virou técnico do time. “O futebol naquela época não era profissional. Os jogadores trabalhavam de manhã nas fábricas, e à tarde iam treinar. As traves eram quadradas, tivemos de pedir para arredondá-las”, lembra. Morar em Tóquio foi um desafio à parte para Oscar, a esposa Márcia e a filha do casal, Natalie, que tinha um ano na época. “A Márcia chegou a rasgar sacos de comida no supermercado para saber o que tinha dentro”, ri. “Depois nos adaptamos e não queríamos voltar”, jura.

Tiago Ribeiro

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