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29/04/2002

   
 
Fotos: Regis Filho

Nos 12 anos em que presidiu o BankBoston do Brasil, ele multiplicou os ativos do banco de US$ 70 milhões para US$ 6 bi

 
Receita de Henrique Meirelles para ser bem-sucedido
• Foco no resultado: “Principal problema é padrão de excelência. Essa é a guerra constante. Se digo que quero desempenho x e entregam y, começa a discussão de que y está bom. É preciso cumprir a meta estabelecida”

• Não existem desculpas para o fracasso: “O fracasso é cheio de explicações, mas isso não interessa, em nenhuma circunstância, e sim o resultado”

• O que é bem feito é bem feito integralmente: “Tudo tem de funcionar bem. Não existe uma coisa funcionar mal e outra bem, mesmo que pareça detalhe. Ou funciona tudo bem feito ou não funciona nada”

• Atitude frente ao trabalho: “O trabalho tem que ser de fato considerado uma obrigação”

• Responsabilidade pelo resultado: “Alguém tem que ser o responsável integral. Existe muito na América Latina e nos Estados Unidos a frase “não é minha culpa”. É, se foi com você que falei”

• O conflito é permanente: “E isso é bom porque existe tendência de pessoas quererem entregar resultado menor”

 
Raio X do conglomerado financeiro comandado por Henrique Meirelles
• US$ 204 bilhões de ativos totais
• 21 milhões de clientes
• Presença em 32 países
• 55 mil funcionários
• Valor de mercado
superior a US$ 40 bilhões

 

Henrique Meirelles
Treajetória de um vencedor
Executivo brasileiro mais bem- sucedido do Exterior, o presidente mundial do FleetBoston Corporation sonha com carreira política e dá a receita do sucesso nos negócios

Daniela Mendes

 

Em 1986, os membros do conselho do Banco de Boston, rebatizado de BankBoston, se preparavam para visitar o Brasil pela segunda vez. Henrique Meirelles, presidente da instituição no País, portanto, anfitrião do grupo, desejava que tudo corresse de forma perfeita. Não queria repetir erros da viagem anterior dos conselheiros, realizada em 1982. Na ocasião, até a bagagem sumiu no desembarque no Brasil. Por isso, Meirelles definiu que cuidar das malas dos conselheiros seria fundamental para o sucesso da visita e incumbiu desta tarefa um dos vice-presidentes do banco, formado na prestigiada universidade americana de Stanford.

“Chamei-o e falei: ‘Vou te dar uma missão muito importante’. Ele devia estar pensando que faria as apresentações financeiras quando eu lhe disse: ‘Você será o responsável pela bagagem. Quero que quando eles chegarem ao quarto do hotel as malas já estejam lá’.” Meirelles enviou o vice-presidente a Boston com todo esquema pronto. Ainda nos Estados Unidos, ele deveria estar com o número do quarto de cada um e a identificação das malas por cores. No desembarque no Brasil, ele recolheria a bagagem, seguiria com elas numa van e as colocaria no quarto. No hotel, na entrada, os conselheiros seriam recebidos por recepcionistas, que teriam decorado o rosto de cada um por foto. E assim, após este início, a viagem transcorreu com perfeição.

Tanto cuidado com os detalhes pode ser encarado como preciosismo, mas para Henrique Meirelles, presidente mundial do BankBoston e FleetBoston Global Bank, é uma doutrina. “O que é bem feito é bem feito integralmente”, diz o primeiro brasileiro a assumir o comando de uma instituição financeira internacional. Ao lado do presidente mundial da Nissan, Carlos Ghosin, Meirelles é o executivo nacional mais bem-sucedido no Exterior. “Não existe isso de ‘as pequenas coisas eu faço mal feito, não liga não porque o que é importante eu faço bem feito’. Isso é bobagem. Ou funciona tudo bem feito ou não funciona nada.” Essa lição foi aprendida no Japão na década de 80. Lá, ele notou que o chão da fábrica era limpo e encerado, ao contrário dos outros países, onde normalmente é sujo.

Com premissas como esta, Henrique Meirelles, 56 anos, goiano de Anápolis, conseguiu trilhar uma carreira singular no mundo empresarial brasileiro. Ele entrou no BankBoston em 1974 para trabalhar na área de leasing, tornou-se vice-presidente quatro anos depois e em 1984 assumiu o cargo de presidente. Mas foi em 1996 que deu o grande salto: derrotou três gringos e foi escolhido pelo conselho do BankBoston presidente mundial da instituição a partir da sede nos Estados Unidos. Nesses 12 anos, os ativos do banco cresceram de US$ 70 milhões para US$ 6 bilhões. Em 1999, com a fusão do BankBoston com o Fleet Financial Group, que criou a sétima instituição financeira dos Estados Unidos, manteve-se no topo. Pela função, ganha um salário anual de US$ 3 milhões. Qual o segredo do sucesso? “Sonhar alto sem tirar o pé do chão”, ensina Meirelles.

Na quinta-feira 18, ele recebeu o prêmio de Personalidade do Ano da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos da Flórida. Mais um no extenso currículo do executivo que é membro de 18 organizações e comitês mundo afora. Desde a Sociedade para a Revitalização do Centro de São Paulo, da qual é presidente, ao concorrido New York City Investment Fund, que dispõe de US$ 200 milhões para investir em empresas na cidade. Lá, ele divide assento com o magnata David Rockefeller e é o único estrangeiro entre os 22 conselheiros.

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