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22/04/2002

   
 
Karlos Geromy/O Imparcial/AE

“Enquanto era só comigo eu agüentava, mas agora, envolvendo a família, não dá mais. Desisto’’ Roseana Sarney, ao saber que o irmão, Fernando Sarney, seria preso se tentasse sair do País

 

Eleições
Roseana está fora
A ex-governadora do Maranhão sai do páreo da Presidência, provoca alívio no clã Sarney e agora tenta tirar o marido Jorge Murad da depressão

Cecília Maia

 
Depois de ver o cunhado, Emílio Jorge Murad, ter a prisão decretada pela Justiça Federal do Maranhão, a ex-candidata do PFL, Roseana Sarney, recebeu o último golpe que viria a ser o responsável pela sua desistência definitiva na disputa eleitoral pela Presidência da República. Naquela mesma quinta-feira, 11, por telefone, um assessor lhe avisou que seu irmão, Fernando Sarney, seria preso no dia seguinte no aeroporto de São Luís. De fato. Fernando e a mulher Tetê iriam viajar na sexta-feira 12 para os Estados Unidos, onde estudam as filhas. Após a ligação, Roseana desabou numa poltrona e avisou aos amigos e assessores que estavam por perto: “Enquanto era só comigo eu agüentava, mas agora, envolvendo a família, não dá mais. Desisto”.

O aviso da prisão de Fernando partiu do Palácio do Planalto. O secretário geral da Presidência, Euclides Scalco, que estava incumbido de apaziguar os ânimos do PFL para garantir as votações de interesse do governo no Congresso Nacional, ligou para o presidente do partido, Jorge Bornhausen, que por sua vez telefonou para um dos assessores diretos da ex-governadora, Antônio Martins. Fernando e o cunhado encabeçavam a lista dos doadores do dinheiro encontrado pela Polícia Federal na sede da empresa Lunus, de propriedade de Roseana e do marido, Jorge Murad. Segundo a lista, divulgada na quarta-feira 10, cada um teria doado, respectivamente, R$ 100 mil e R$ 150 mil. O problema é que ambos tinham dívidas antigas com a União, o que justificou a medida judicial. No telefonema com Martins, Roseana conversou longamente. Em seguida procurou advogados para ter certeza da situação. E naquela mesma noite comunicou a Bornhausen sua decisão.

No sábado 13 Roseana renunciou à candidatura. “As investidas constantes e os ataques que beiram a crueldade minaram minha resistência pessoal. Eu, que já enfrentei tantas adversidades, agora cheguei ao limite das minhas forças”, discursou. O esboço da carta de renúncia foi feito pelo sociólogo Antônio Lavareda, estrategista do PFL, e arrematado por Roseana. Antes de oficializar a decisão, ela conversou por telefone com Ciro Gomes. As conversas de Roseana com Ciro indicam que o clã Sarney trabalhará pela aliança do PFL com o candidato do PPS.

A desistência foi um alívio para a família inteira, que há tempos vinha pedindo que ela deixasse a disputa à Presidência e se voltasse para a campanha no Estado. O pai, senador José Sarney, e o irmão, deputado Zequinha Sarney, foram os primeiros a alertá-la. Ambos achavam que ela não agüentaria “os golpes baixos que viriam pela frente”. Mas Roseana insistiu. Na semana passada, depois da divulgação da lista de doadores que não convenceu nem mesmo à base do PFL, o senador não se conteve. “Eu avisei, mas ela é teimosa”, disse.

Desde a desistência da disputa presidencial da ex-governadora maranhense, José Sarney assumiu o gerenciamento da crise. Foi para São Luís na quinta-feira 11 e tem participado de todas as reuniões com os advogados a fim de ajudar Roseana a se preparar para o depoimento marcado para quarta-feira 17, quando será interrogada no inquérito sobre a possível participação da Lunus no desvio de verbas da Sudam. Paralelamente, o juiz Mário Cesar Ribeiro, do Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília, determinou na segunda-feira 15 a suspensão da investigação pela Polícia Federal da origem do dinheiro apreendido na empresa. A medida será mantida até que o mandado de segurança impetrado pelos advogados da Lunus seja analisado.

Apesar da crise, Roseana tenta tocar a vida naturalmente. Dentro de casa tem sido a pessoa que levanta o astral da família, principalmente do marido, Jorge Murad, que emagreceu alguns quilos a olhos vistos e tem se mantido a base de remédios, num quadro típico de depressão. De aparência abatida e tez embranquecida, Murad lembra pouco o homem forte do governo maranhense que andava todas as manhãs na praia antes de ir para o trabalho. Fala pouco, e sequer conversa com a mulher sobre o futuro político.

Roseana, que tinha dúvidas entre se candidatar à Presidência ou ao Senado, agora já fala em disputar a Câmara dos Deputados por exigência do pefelistas locais. Mas, para o código político de Brasília, isso significa que ela procura alternativas temendo uma derrota até mesmo para o Senado Federal.

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