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22/04/2002

   
 
Piti Reali

“O PSL fez o convite a mim lastreado em pesquisas que mostravam meu potencial como candidato”, diz Pitta

 
 
“É até forçar a barra dizer que sofri preconceito racial. Houve preconceito, não essencialmente racial, mas em relação ao Pitta’’ Celso Pitta

 

Política
Pitta quer voltar
O ex-prefeito Celso Pitta lança livro, tenta se eleger deputado federal e há dois anos não fala com a ex-mulher, Nicéa, e com o filho mais novo

Tiago Ribeiro

 

As eleições deste ano serão decisivas para o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Aos 55 anos, ele tentará uma vaga como deputado federal pelo pequeno Partido Social Liberal (PSL). Mais do que um mandato, Pitta busca apagar da memória do eleitor paulista sua passagem pela prefeitura de São Paulo. Quer ainda desvincular seu nome do de Paulo Maluf, com quem não fala desde 1998. Tampouco comunica-se com a ex-mulher Nicéa Camargo e com o filho Vitor, de 25 anos, que não vê desde março de 2000. Fala apenas com a primogênita Roberta, 27, que vive nos Estados Unidos. “Espero que o tempo possa dar uma solução diferente da que se tem hoje”, diz. Acaba de escrever o livro Política e Preconceito, que deverá ser lançado no próximo dia 22. Nele, o ex-prefeito não faz revelações bombásticas, mas dá sua versão dos fatos sobre temas polêmicos, como o caso dos precatórios. Também relata as rusgas que viveu com Maluf durante seu mandato, motivadas por interesses eleitorais e turbinadas pelos publicitários Duda Mendonça e Nelson Biondi, que gravitavam na cúpula malufista. “Duda não aparecia na Prefeitura, e resolvi cancelar seus serviços”, escreve. Ele conta ainda que Maluf ficou enciumado com a porcentagem de votos em sua vitória eleitoral, 63% do total de votos válidos. Pitta recebeu Gente em seu escritório no bairro de Moema, zona oeste de São Paulo.

Por que escreveu este livro?
Quero reverter a opinião negativa em torno da minha administração. Tenho convicção de que as pessoas não tiveram conhecimento de todo o trabalho que fiz como prefeito.

O senhor concorda que saiu muito desgastado da prefeitura?
O PSL fez o convite a mim lastreado em pesquisas que mostravam o meu potencial como candidato. Não há hostilidade em relação a mim. Não me furto de dar minha cara a tapa. Sou cumprimentado, outros me ignoram, mas isso é da vida do político.

Acha que sofreu preconceito racial?
É até forçar a barra dizer que sofri preconceito racial. Houve preconceito, não essencialmente racial, mas em relação ao Pitta. O preconceito a que me refiro no livro é no sentido mais amplo. Primeiro por ter sido afilhado político do Maluf. Depois porque a classe política passou a ser encarada com suspeita nos últimos anos.

O senhor não esperava essa reação por ser o candidato de Maluf?
Fui avisado. Participei de alguns debates antes da eleição, e num deles um artista disse que havia gostado de mim, mas que eu não teria seu voto por ser afilhado político do Maluf. Ali eu pude inferir que teria de lidar com esse tipo de rejeição.

Houve uma conspiração contra a sua administração?
Não digo conspiração, mas uma má vontade...

Por quê?
Competi em minha pré-candidatura a prefeito com figuras tradicionais da política paulistana, como o Reynaldo de Barros (ex-secretário de Obras e Vias Públicas na administração de Paulo Maluf), ligado ao Maluf há muito tempo. Outro concorrente era o Roberto Paulo Richter (ex-secretário da Saúde de Maluf), amparado pelo Duda Mendonça, que já tinha uma campanha pronta. Foram forças internas que se sentiram magoadas, ressentidas. Conto isso no livro.

E os processos na Justiça?
Aquele Globo Repórter em que minha ex-mulher (Nicéa Camargo) fez acusações gravíssimas, originou um inquérito policial que foi arquivado por falta de provas. Movo uma ação contra o jornal O Globo por calúnia e difamação. Não estou deixando passar absolutamente nada. Tenho conseguido vitórias expressivas na Justiça.

Com que fonte de renda tem vivido?
Sou um economista, um profissional liberal. Faço um trabalho de consultoria na área econômica e financeira. Acho curiosa essa preocupação grande de como o Pitta vive quando nós temos um candidato a presidente da República, o Lula, que não trabalha há 18 anos e ninguém pergunta como ele vive! Eu tenho como explicar a origem dos meus gastos, meu padrão de vida, porque tenho meu diploma de economista. E o Lula, um ex-torneiro mecânico? Ninguém pergunta isso ao Lula! Isso não é uma forma de preconceito?

Como será pago o empréstimo de R$ 800 mil que o senhor fez com o empresário Jorge Yunes?
Será pago assim que meus bens, que estão indisponíveis, estiverem liberados. Eu tenho um apartamento no Rio que já apalavrei com ele, que será dado como pagamento.

Em quem o senhor aposta na sucessão presidencial?
Essa briga para ver quem vai para o segundo turno com o Lula vai levando a candidatura dele de vento em popa. Com isso as chances dele vencer são muito grandes. A bola da vez agora será o Garotinho. Dentro deste quadro que se apresenta, ele é meu candidato. Vão detoná-lo da mesma forma que fizeram com a Roseana. Jogaram uma bomba atômica na candidatura dela. A máquina do governo é responsável pela derrocada de sua candidatura.

O senhor derrotou José Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo em 1996. Acha que a candidatura dele à Presidência é viável?
Ele é ruim de voto, e não tem a simpatia do eleitorado. Por mais que ele se esforce, há uma antipatia. Dizem que ele dá azia em saco de bicarbonato. No embate que tivemos, na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 1996, ele perdeu. Aliás, a votação que ele teve foi inferior ao número de votos brancos e nulos. Não acredito no sucesso de sua campanha.

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