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Reportagens

22/04/2002

   
 
Reuters e AP
Dia 12: Chávez é preso na base militar de Fuerte Tiuna. Empresário Pedro Carmona assume presidência transitória, fechando Congresso e Judiciário.
Reuters e AP
Dia 13: Grupos chavistas se rebelam fazendo saques ao comércio. Pressão política cresce durante o dia. Às dez da noite Carmona renuncia e entrega o poder.

Reuters e AP

Dia 13 às 22 horas: Vice-presidente de Hugo Chávez, Diosdado Cabello, é empossado presidente. Chávez se reúne com base militar que o apóia para voltar ao poder.
Reuters e AP
Dia 14: Vice-presidente passa a faixa presidencial a Chávez, que chega ao Palácio Miraflores de helicóptero conduzido por militares da brigada de pára-quedistas.
Reuters e AP
Chávez agradece ao povo que o reconduziu ao cargo e pede calma. Diz que vai analisar os erros cometidos e que não haverá caça às bruxas como retaliação.

 

Golpe/Hugo Chávez
Caracas!
Em frenéticas 48 horas durante um fim de semana, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é deposto e um levante popular que tomou as ruas de Caracas o reconduz ao poder

Cecília Maia

 

Chávez chega aos jardins do Palácio carregado pelos militares e abraça os soldados da guarda presidencial. “A Deus o que é de Deus, a César o que é de César, ao povo o que é do povo”, proclama

Dono de uma personalidade agitada, forte e carismática, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem conseguido ao longo de sua vida pública protagonizar fatos inusitados. Há quem diga que ele é o rei do marketing, mas quem já teve proximidade com o presidente garante que ele é inteligente, alegre, sedutor e espontâneo. Tanto que ao sair do périplo de cinco prisões nas 48 horas em que esteve deposto, não se constrangeu em afirmar: “Lavei minhas próprias cuecas”. Com esse jeito simples, Chávez conquistou os soldados que deveriam cuidar de sua guarda, para irritação dos golpistas. “Em cada lugar que chegava os soldados me tratavam melhor. Um deles me trouxe uma televisão, outros ficavam conversando comigo”, disse ele ao reassumir o Palácio Miraflores na madrugada do domingo, 14.

A mesma espontaneidade Chávez leva para os encontros internacionais, onde sempre consegue ser o centro das atenções. É capaz de distencionar discussões acaloradas entre chefes de Estado, como aconteceu na última reunião de cúpula dos países ibero-americanos entre o cubano Fidel Castro e o salvadorenho Francisco Flores, contando histórias engraçadas e simples do povo de seu país. Foi em encontros como esse que se tornou amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem sempre chama de “Mi Maestro”, ou meu mestre. Fernando Henrique nunca escondeu sua simpatia pelo presidente vizinho.

CONSELHOS DE FHC Após a tentativa de golpe, FHC falou com Chávez pelo menos duas vezes. Deu conselhos. Sugeriu que ele passe por cima das desavenças e promova o convívio social harmônico, citando o exemplo do presidente Juscelino Kubitschek, que promoveu a anistia militar apesar do levante contra seu governo.

Mas assim como sabe conquistar, Hugo Chávez provoca iras. Ganhou o amor dos pobres, que aos milhares ocuparam as ruas de Caracas exigindo a sua volta, e cultivou o ódio da classe mais abastada, que, na pele do empresário Pedro Carmona, o arrancou do poder. Agora ele parece se preocupar mais com isso. Na sua volta, na segunda-feira 15, Chávez deixou em casa o uniforme militar com a tradicional boina vermelha, que usava para conversar com as forças armadas, um dos pilares de sustentação de seu poder. Vestiu um elegante terno escuro e gravata vermelha para reconhecer os erros e conclamar a “ampla união”. “Não sou o presidente dos pobres. Sou o presidente de todos os venezuelanos”, garantiu.

A mesma relação de amor e ódio Chávez nutre com os demais países do mundo. Como membro da Opep, Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, se aproximou dos presidentes do Iraque, Saddam Hussein, e da Líbia, Muhamar Kadafi, ambos arquiinimigos dos Estados Unidos. Chávez tem duvidado, mas o governo norte-americano desde o início da semana vem negando sua participação no golpe frustrado da Venezuela. De qualquer forma, se quiser continuar no poder, o presidente da Venezuela já sabe: terá de rever sua relação não só com os ricos de seu país, mas também com os ricos do planeta.

 

 

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