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PAULO RICARDO

18/02/2002

“O sucesso me isolou”
O cantor celebra a volta do RPM, revela que o grupo acabou por briga de egos, conta como se livrou das drogas e diz adorar o assédio

Juliana Lopes

Piti Reali

“Roupas eram rasgadas, mas eu achava ótimo. Ficávamos horas dando autógrafo pela janela do ônibus. Batalhamos muito para conseguir aquilo”, diz o cantor

Foram 12 anos de caminhos diferentes até acontecer o encontro. Em outubro de 2001, Paulo Ricardo, Fernando Deluqui, Paulo Antônio Figueiredo Pagni, o P.A., e Luiz Schiavon se encontraram para beber todas, depois de passar o passado a limpo. Maior fenômeno pop da indústria fonográfica dos anos 80, com quase 3,5 milhões de cópias vendidas em três discos e um EP – 2,5 milhões só com Rádio Pirata ao Vivo – o RPM está de volta. A reestréia da banda será num Acústico MTV que será gravado no final de março, com sucessos antigos e seis músicas novas. Mesmo antes da volta oficial, o RPM colocou a voz e os instrumentos na trilha de abertura de Big Brother, da Globo. “A idéia partiu do Deluqui”, conta Paulo Ricardo, líder da banda, já quase sem resquícios de sua carreira solo na linha romântica que lhe rendeu sucesso internacional no gênero Rick Martin. Cantando sozinho desde o fim do RPM, em 1989, Paulo Ricardo lançou sete discos e vendeu 1,1 milhão de cópias. Mas nunca deixou de ter saudade da histeria adolescente que o RPM causava. Aos 39 anos, pai da baixista Paola, 14, o cantor mudou radicalmente o estilo de vida. Hoje acorda todos os dias cedo para malhar, gosta de comida natural e bebe pouco.

Como se sente com a volta do RPM?
Como um garoto de 20 anos montando sua primeira banda de rock. É como se estivéssemos tendo, por intervenção divina, a oportunidade de retomar do ponto que paramos. É como se estivéssemos tocando no Madame Satã (bar paulistano alternativo da década de 80). A banda tem esse efeito rejuvenecedor. Fiquei muito chateado, deprimido quando o grupo acabou. Me senti bem mais velho anos atrás quando optei pela música romântica. Agora, sou novamente um delinqüente juvenil. É reescrever a história que começou linda e terminou por uma série de mal- entendidos. Não era o desejo de nenhum de nós que o RPM acabasse.

Por que acha que vai dar certo juntar os quatro de novo?
Por causa do nosso relacionamento. Quando encontrei o Schiavon, que tinha ficado mais isolado, passamos o dia inteiro juntos. Limpamos feridas, falamos das mágoas, ele foi ver a minha filha Paola, que é afilhada dele e que não via há anos. Foi muito emocional. Só depois é que fomos falar de música, encontrar os outros. Não estamos voltando como quatro caras que querem reler no passado, mas como quatro garotos que viveram um sonho e estão com o maior tesão de retomar isso. Hoje temos maturidade para depurar tudo aquilo.

Por que, afinal, o RPM acabou?
O embrião do fim do RPM estava no sucesso extremo e rápido que nós tivemos. Ficamos quatro anos em cima de um mesmo repertório, que foi composto em 1983 por mim e pelo Schiavon. Foi o maior sucesso, maravilha, porém, a gente estava criativamente cansado daquilo. Nossa vida era muito corrida, não tínhamos tempo de ficar tocando ou compondo, renovando o nosso interesse musical. Não dava nem para um mostrar para o outro alguma música nova.

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