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17/12/2001

SINDICALISMO

LUIZ MARINHO
O negociador implacável

O presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC é saudado nas ruas de São Bernardo do Campo por ter evitado a demissão de 2,3 mil trabalhadores da Volkswagen

Cesar Guerrero

Arquivo Pessoal
Marinho em assembléia em 1998. Na crise da Volkswagen, ele usou bom senso na porta da fábrica: “Não vamos pisar numa flor do jardim da Volkswagen!”

O presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, 42 anos, garantiu um Natal mais feliz para 2,3 mil famílias de trabalhadores em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Nas últimas semanas ele não consegue ir sequer à padaria do Jardim Irajá, bairro onde mora, sem receber agradecimentos. “É um alívio saber que o sindicato evitou a demissão de tanta gente”, diz. Em novembro, 3 mil operários da Volkswagen receberam cartas de demissão pelo correio por ordem de Herbert Demel, 48 anos, presidente da empresa no Brasil. Depois de uma bateria de reuniões infrutíferas, Marinho pegou um avião e foi negociar com a matriz da multinacional, em Volfsburg, na Alemanha. “Resolvi falar com quem poderia resolver o impasse”, afirma.

Na tarde de 15 de novembro o sindicalista estava diante do vice-presidente mundial de recursos humanos da Volkswagen, Peter Hartz. O alemão de 1,90 m de altura recebeu o brasileiro com surpresa. “Marinho, é verdade que você declarou guerra à Volkswagen?”, indagou. “Não, doutor Hartz. Mas se a empresa quiser guerra vai ter guerra”, respondeu. Os dois costuraram um acordo que reduziu o corte para um programa de demissão voluntária que deve alcançar 700 postos. “A empresa perdeu mercado porque não lança produtos novos. E não por culpa dos operários”, argumentou Marinho. “Você é o negociador mais duro com quem já lidei”, disse Hartz no final da reunião.

Apesar de duro na negociação, Marinho procura esgotar as possibilidades antes de adotar medidas radicais como greves ou ocupações de fábricas. No auge da crise, quando a insatisfação fervia entre os operá-rios, o sindicalista deu um exemplo de bom senso. “Não vamos pisar numa flor do jardim da Volkswagen”, bradou aos trabalhadores na porta da fábrica. “Ele é um dos maiores quadros do sindicalismo e uma grande figura humana”, diz Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que o antecedeu na presidência do sindicato.

Arquivo Pessoal
As três gerações: Marinho com Lula e Vicentinho (à esq), que presidiram o sindicato dos metalúrgicos do ABC antes dele. “Ele é um dos maiores quadros do sindicalismo e uma grande figura humana”, diz Vicentinho. O sindicalista foi citado pela Time como uma das 50 lideranças da América Latina no terceiro milênio

A vitória contra Demel não é o primeiro grande feito de Marinho. Em 1999, Ivan Fonseca e Silva deixou a presidência da Ford meses depois de anunciar uma demissão em massa. Marinho não só impediu o corte como mobilizou os governos estadual e federal para um acordo que cortou impostos e deu fôlego para o setor automotivo. O episódio resultou na inclusão de seu nome na lista da revista norte-americana Time que apontava 50 lideranças da América Latina para o terceiro milênio.

Uma das bandeiras de Marinho é um acordo nacional para a renovação da frota nacional de veículos. “Tirando os carros velhos da rua não só incentivamos a produção como evitamos acidentes e danos ao meio ambiente que geram gastos com saúde pública”, afirma ele. “O governo precisa ter uma visão geral do problema em lugar de pensar só na arrecadação de impostos”, diz ele. Marinho está estudando Direito. Ele cursa o terceiro período numa faculdade particular em São Bernardo. “Não tive chance de estudar antes.”

Rogério Albuquerque
“É um alívio saber que o sindicato evitou a demissão de tanta gente’’

O sindicalista ajudava os 14 irmãos na lavoura de milho e algodão no sítio de seu pai, Lourenço, em Santa Rita do Oeste, interior paulista. “Trabalhava na terra com um arado puxado por burro”, relembra. Lourenço vendeu a propriedade e comprou um mercadinho no Jardim São Rafael, zona leste da capital em 1975. Marinho arrumou emprego justamente na Volkswagen. “Eu era operador de equipamentos e vistoriava o processo de pintura”, recorda.

O jovem operário participou de várias manifestações do sindicato, que na época era presidido por Luís Inácio da Silva, o Lula. Quem não gostava da militância era seu pai. “Não quero filho meu embaixo das patas de um cavalo”, dizia Lourenço. Hoje Marinho não precisa mais fugir da cavalaria da Polícia Militar. Ele dirige tranqüilamente seu Ford Ka da sede do sindicato até o apartamento de dois dormitórios, em São Bernardo, onde vive com a pedagoga Nilza de Oliveira, 39 anos. “São outros tempos”, afirma.

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