25 de outubro de 1999
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Fernando Morais - Paris

Nobel da Paz declara guerra aos laboratórios
Fundador dos Médicos sem Fronteira afirma que medicamentos são feitos só para os países ricos

Quem esperava uma declaração-clichê, adocicada, levou um susto. Na primeira entrevista que deu após saber que tinha recebido o Prêmio Nobel da Paz, o elegante médico francês Bernard Kuschner (fundador da organização Médicos sem Fronteiras e atual representante da ONU em Kosovo) baixou o sarrafo na indústria farmacêutica internacional. “Dos 1.200 novos medicamentos lançados no mercado nos últimos 20 anos”, denunciou Kuschner, “apenas 11 se destinam a curar doenças existentes em países pobres. Os 1.189 restantes foram destinados ao conforto dos residentes em países ricos.” Kuschner reclamou também da facilidade com que os países pobres concedem patentes aos grandes laboratórios, sem jamais verem sequer a sombra dos medicamentos produzidos a partir de plantas nativas em seus territórios.

Crítica severa

Se dependesse do poeta João Cabral de Melo Neto, falecido há duas semanas, o poema “Morte e Vida Severina” jamais teria ido parar num palco. Em 1965, dez anos depois de escrito, o jornalista Roberto Freire decidiu, meio no peito, sem autorização de Cabral, transformá-lo em peça de teatro musicada por Chico Buarque. Mas só em 1966, após a consagração da peça no Tuca, em São Paulo, e depois de ter vencido o festival de Nancy, na França, é que o poeta entregou os pontos: “Fiquei arrasado pela beleza do espetáculo”, reconheceu ele.

Santo remédio

Um congresso mundial de urologia ocorrido na Alemanha referendou a boa notícia que já tinha sido cantada há tempos pelo médico brasileiro Miguel Srougi (craque que cuida, entre outros, de Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e Michel Temer): beber um copo de vinho todos os dias reduz em 50% os riscos de se contrair câncer de próstata.

Desespero antigo

FOTO: EPITÁCIO PESSOA/AE

O episódio do gerente de vendas Sebastião Rodrigues, que cortou a própria mão para receber um seguro, ocorrido há duas semanas em São Paulo, pode ser escabroso, mas não é inédito. Trinta anos atrás, um empresário paulista apareceu no hospital Albert Einstein com a mão esquerda decepada. Segundo ele, por ladrões, que tinham tentado roubar-lhe o relógio do pulso. A mão foi reimplantada com êxito, mas foi preciso o repórter Inajar de Souza, do Jornal da Tarde, investigar o crime por conta própria para descobrir a verdade: com a ajuda da amante, que era enfermeira, o empresário havia decepado a própria mão para receber um seguro de US$ 1 milhão.

Mao retrô

O que parece estar voltando à moda não é o espartilho, a polaina ou sapato bariri, de duas cores. É o maoísmo. A loja de Valentino já tem na vitrine ternos “linha Maô”, como eles dizem aqui, fechados até quase o pescoço - como os que Caetano e Gil usavam no tempo do Tropicalismo.

Frase

“As pessoas não são apenas o que são realmente, mas o que imaginam ser e o que os outros imaginam que elas sejam.” (Ferreira Gullar)

 

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