25 de outubro de 1999
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Música - Rap

Nádegas a Declarar
Gabriel, o Pensador (Sony Music)

Ramiro Zwetsch

Foto: KIKO CABRAL

O rap tem origem nos redutos negros norte-americanos e suas letras destilam o horror da discriminação na voz de quem a sentiu na pele. Levando essa cartilha ao pé da letra, Gabriel, “o Pensador” - que nasceu em família de classe média alta e aproveita a moldura do rap para entoar letras debochadas - está distante do teor social crítico que alimenta a essência desse gênero musical. Por outro lado, também não se pode negar - por simples preconceito - que seja compositor talentoso na arte de criar rimas e competente para emplacar sucessos radiofônicos.

Em seu novo disco, Nádegas a Declarar, na faixa de abertura - a autobiográfica “Cantão” - ele tenta justificar a malandragem que não vem do berço: “É, nem parece que ele é filho de bacana/A aparência às vezes engana/Mas a grana, no caso, não faz diferença/A galera da favela vai marcar uma presença”.

Em “Nádegas a Declarar” e “Cachorrada”, Gabriel dá motivos para o público feminino se ofender: “Arrebita a rabeta/arrebita bem a bunda, vagabunda/que a bunda é tudo de bom que você tem” e “Tô a fim de uma gata mas só tem cachorra/Tô a fim de uma gata mas só acho canina/Vou soltar os cachorros em cima” são pérolas de uma pobre e machista poesia. Está certo que rap sempre serviu de descarga verborrágica, mas deve haver um limite. Tem muito rapper - com formação menos sofisticada que Gabriel - que sabe respeitar uma mulher. No mais, o disco tem produção impecável - assinada na maioria das faixas pelo experiente Liminha - e acompanhamento instrumental dançante de primeira para o cantor destilar letras de profundo mau gosto.
Nada a dizer

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