23 de setembro de 1999
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Televisão

Auxiliar rebelde
Alessandra Scatena, ajudante de Gugu Liberato, chama o apresentador de "egoísta legal" e vira VJ em tevê americana para tentar crescer fora do SBT

Rodrigo Cardoso
de São Paulo

Este ano, a assistente de palco de Gugu Liberato, a paulista Alessandra Scatena, de 23 anos, completa dez anos de SBT. A comemoração, no entanto, será tímida - se acontecer. A moça, que entrega presentes a convidados ou serve de chamariz para os produtos que Gugu anuncia no Domingo Legal, está desiludida com a emissora. "Entro muda e saio calada, porque não me dão oportunidade de falar", diz. "Isso me incomoda. Estou chateada." Disposta a reverter essa situação, Alessandra estreou, na quarta-feira 15, como apresentadora do Sounds Of Brazil, programa de videoclipes brasileiros no ar em Miami, por uma tevê pública americana. "Pô, terei de fazer sucesso em outro canal para ser reconhecida pelo SBT?"

Nas tardes de domingo, Alessandra é toda sorrisos ao lado de Gugu. Puro profissionalismo. Seu estado de espírito muda assim que o apresentador se despede do público. "Gugu é um egoísta legal", diz ela. "Ele gosta muito de mim e, portanto, me enrola para que eu fique com ele para sempre. Quando disse que pretendia ter um programa, ele mandou que eu fizesse cursos de interpretação e de impostação de voz. Eu fiz, e aí?", reclama. A falta de oportunidades no SBT quase prejudicou sua contratação para o Sounds of Brazil, programa apresentado em português, com legendas em inglês, que é visto por 150 mil brasileiros nos Estados Unidos. "Quando pensamos na Alessandra, a primeira pergunta que surgiu foi: 'Mas ela fala'?", conta o diretor João Carros Serres.

Santa sem milagre

Envie esta página para um amigo Magoada com Gugu, Alessandra se diz decepcionada com Silvio Santos. Ano passado, ela foi chamada para um teste no programa Fantasia, que procurava uma apresentadora para substituir a ex-sem-terra Débora Rodrigues. "O Silvio soube que fui bem, mas não me escolheu porque não queria chatear as figurantes do programa, que deveriam ter uma chance", explica. "Mas e eu, que estou há um tempão na emissora, posso ficar chateada?" Inconformada com a explicação, Alessandra entrou em depressão. Por dois meses, recusou trabalhos como modelo. Passava as tardes trancada dentro do quarto, chorando, sem falar com ninguém. Seu estado exigia tratamento médico, mas ela negou-se a tomar remédios, o que prolongou a recuperação. "Se o dono da empresa diz que não dá, o que posso esperar?", reclama. "Foi aí que perdi as esperanças no SBT. Para eles, santo da casa não faz milagre."

O papel de coadjuvante de um programa semanal, no entanto, não impede que Alessandra sofra com o assédio tanto quanto uma estrela de primeiro time. Há cinco anos, ela recebeu de um rapaz uma caixa com lingeries, absorventes, bonecas e frascos de antidepressivos vazios. Na semana seguinte, o fã explicou, com uma carta, que deixava de comprar remédios para presenteá-la. "O rapaz disse que eu era carente, triste e sofredora", lembra. "Não consegui convencê-lo do contrário e nunca mais ele me procurou." Ano passado, ao final de um evento numa casa noturna paulista, um rapaz ofereceu-lhe carona. Assustada, Alessandra pegou um táxi. "Mas ele me seguiu e, a certa altura, parou ao meu lado, mostrou um revólver na cintura e insistiu: 'Não é melhor você vir comigo'?", conta. A perseguição durou 30 minutos e só terminou próximo de sua casa, quando o carro do rapaz foi fechado por um caminhão.

Casada há dois anos com o contador Rogério Gherbali, Alessandra começou aos 12 anos no SBT. Tentou ser assistente de palco no programa Corrida Maluca, comandado por Gugu. O pai, José Scatena, que a acompanhou no teste, foi chamado para interpretar um padre e ela foi preterida. Dois meses depois, de tanto acompanhar o pai - que morreu há seis anos -, ela foi convidada para ser figurante do programa. Com Gugu, passou pelos programas Viva Noite, Passa ou Repassa, Sabadão Sertanejo e Domingo Legal. "Não sou mais uma loira que quer ser apresentadora", diz. "Tenho o que falar." Para evitar o estigma, pensou em pintar o cabelo de preto. Mas foi convencida a manter-se como é.

Produção: Márcia Marino e Ivan Xavier. Agradecimentos: M.Officer, Fernando Pires, Jefferson Kulig e Coleci