23 de setembro de 1999
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Culinária

As armas do ex-guerreiro
Repórter do exército americano no Vietnã, Roman Matz sobrevive no Brasil graças à comida oriental

Fábio Bittencourt
de São Paulo

Foi na Guerra do Vietnã que o americano, filho de ucranianos, Roman Stefan Matz, 51 anos, despertou para a culinária oriental. Em Saigon, visitava um navio onde eram servidos pratos desconhecidos pelo então repórter do exército americano. Às vezes, oferecia a comida de quartel aos camponeses vietnamitas. Em troca, pedia legumes frescos. Os ingredientes eram despejados dentro do capacete e cozidos com o auxílio de explosivos que, em contato com o fogo, se tranformavam em fogueira em questão de segundos.

Antes de a guerra terminar, em 1968, Matz deixou o posto de repórter e foi para as frentes de batalha. Voltou para os Estados Unidos como herói, virou hippie e rodou o mundo com pouco dinheiro no bolso. Desembarcou no Brasil, em 1973, casou-se três vezes e teve dois filhos.

Envie esta página para um amigo Os amigos sugeriram que Matz cobrasse pelos pratos, que começaram a despertar pedidos de desconhecidos. Hoje, cada gourmet desembolsa R$ 50 por seu tempero. Os banquetes são servidos em sua própria casa, na zona sul de São Paulo. Os grupos de 15 pessoas começam a chegar às 20h. Só vão embora de madrugada. No cardápio, cozinha chinesa e italiana, em pratos como filé com manga e molho de ostras, costelas de javali com mel e sopa de pepino recheado. "É um prazer fazer algo e saber que as pessoas vão gostar", afirma.