23 de setembro de 1999
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Carreira

Mylla tem a força
Separada há nove meses, Mylla Christie diz que o ex-marido a anulava, tem novo namorado, estréia novela na Record e quer voltar a ser apresentadora

Paula Quental
de São Paulo

Até bem pouco tempo atrás, sempre que aparecia falando de um novo trabalho, a atriz Mylla Christie, 28 anos, dava um jeito de citar o ex-marido, o ginecologista Malcom Montgomery, 48. E saía publicado que foi Malcom quem a incentivou a fazer o seu papel de maior destaque na tevê, a Silene, da minissérie Engraçadinha, seus Amores e seus Pecados, na Rede Globo, em 1995; que foi com o aval de Malcom que ela posou nua para a Playboy, em 1997, e assim por diante. Separada do médico há nove meses, depois de uma união de cinco anos, Mylla, agora, tem outro discurso. "O casamento me atrapalhava, me consumia. Eu me anulava como pessoa e como profissional."

Sentindo-se como que "recém-saída de uma prisão" - "Diz aí, sou o Tim Robbins em Sonho de Liberdade", filme em que o personagem interpretado pelo ator, preso injustamente, escapa da prisão por um túnel aberto com as próprias mãos -, Mylla se diz no auge da carreira, iniciada aos 17 anos como apresentadora de programa infantil. Ela é uma das protagonistas da nova novela da Record, Tiro e Queda, e tem planos de voltar a ser apresentadora de um programa para adultos. "Uma emissora está examinando um projeto meu", diz ela, ex-estudante de Jornalismo (fez dois anos de faculdade). Segundo o ex-marido, o auge de que ela fala foi precedido de um ano infernal, com angústias e fracassos profissionais. "Só posso entender essa raiva que ela sente de mim como uma inveja do meu sucesso profissional", diz ele. "A coisa se acirrou no ano passado, quando ela ficou com pouco trabalho. Chegava a ser agressiva comigo e com a minha família." A atriz evita se estender sobre a separação, alegando que o ex-marido adora uma chance para aparecer. Malcom a conheceu por intermédio da mãe dela, Joyce Helena Vitta, 46 anos, que foi, por seis anos, sua instrumentadora cirúrgica.

Corpo que choca

Com o corpo esculpido à custa de malhação pesada, ela prepara-se para lançar uma linha de produtos diet com a sua marca, que inclui cereais, sucos e milk-shakes dietéticos. O corpo musculoso, que substituiu a silhueta delicada que ela tinha antes, chocou alguns. "Já andaram me chamando de Schwarzenegger. Estou mais forte por fora e por dentro", diz, referindo-se à recente tempestade emocional provocada pela separação. A atual forma física, com músculos bem definidos, foi conseguida em menos de um ano de exercícios aeróbicos e de levantamento de pesos, com a ajuda de um personal trainer. O rápido resultado deve-se ao fato de que Mylla sempre fez exercícios: foi campeã de ginástica olímpica quando criança e fez anos de balé clássico e moderno.

Envie esta página para um amigo Foi a dança, aliás, que a levou pela primeira vez à tevê. Aos oito anos, foi escolhida entre bailarinas-mirins para atuar ao lado de Roberto Carlos, no primeiro especial de fim de ano que ele fez para a Globo, em 1979. Era uma homenagem a Charles Chaplin, e Mylla foi o Garoto, contracenando com o cantor, que fazia o Carlitos. "Fiquei emocionada, ele me chamou de lado e cochichou: não fica nervosa não, finge que está na sua casa", conta. Integrante de família de classe média paulistana - o pai, Odari Gorga, era diretor de teatro -, Mylla iniciou por conta própria, ainda na adolescência, a carreira de modelo. Aos 15 anos, seguindo as exigências da profissão, foi morar no Japão.

Saída da Globo

Muito apropriadamente, acredita ela, o nome Mylla significa palavra, em hebraico. Num ecumenismo curioso, Christie é uma referência ao dia de Corpus Christi, que caiu na data em que ela nasceu (10 de junho de 1971). O "dom da palavra" já era evidente aos 17 anos, quando foi convidada para apresentar o programa infantil Zap, na Record, e, logo depois, o Clube da Criança, na Manchete. Estreou na Globo na novela Meu Bem, Meu Mal, em 1989, e desligou-se da emissora há poucos meses. Mylla ia fazer o papel de Gilvânia, na novela das oito, Suave Veneno, e na última hora foi substituída pela atriz Samara Felippo. O que aconteceu, segundo ela, foi que ficou insatisfeita com a recusa da Globo em transformá-la em apresentadora de um novo programa. "Mylla negociou mal com a Globo. Ela saiu e eu entrei", diz Malcom Montgomery, consultor do seriado Mulher. Segundo o ginecologista, foram as "angústias profissionais" da ex-mulher que, em grande parte, atrapalharam o casamento dos dois.

Mylla está segura de que fez um ótimo negócio ao fechar com a Record. Também acredita que poderá levar adiante outros projetos pessoais. Está nos planos da atriz continuar a fazer cinema - nos últimos dois anos, por exemplo, atuou em três longas: Paixão Perdida, de Walter Hugo Khouri, Os Cristais Debaixo do Trono, de Del Rangel, e Condenado à Liberdade, de Emiliano Ribeiro, os dois últimos ainda para estrear. Se não surgisse o convite para fazer a novela na Record, Mylla sairia do País para estudar cinema, num curso que envolve atuação, direção e fotografia. Mesmo que o preço fosse deixar de lado por um tempo um novo romance, com "um rapaz do Rio de Janeiro", cujo nome não revela. Inquieta, é dela mesma a melhor definição para sua personalidade: Mylla é como o deus grego Hermes, que tem asinhas nos pés.