23 de setembro de 1999
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De Tóquio a Tocantins
Ídolo da colônia brasileira no Japão, Joe Hirata foi operário em fábricas japonesas e agora brilha como cantor sertanejo nos dois lados do mundo

Alessandra Nalio
de São Paulo

Um jovem descendente de japoneses vai para o Japão trabalhar como operário. Tenta a carreira de cantor naquele país e torna-se o primeiro estrangeiro a vencer um importante concurso de música japonesa. Lá, fica famoso entre a colônia nipo-brasileira, de 260 mil pessoas, e parte para carreira de cantor romântico de músicas sertanejas. Essa é a história do paranaense Joe Hirata, 31 anos. Em maio, ele subiu ao palco da casa de shows Olympia, em São Paulo, e cantou para 1.400 pessoas. Em Maringá, no Paraná, Hirata fez um show para 10 mil pessoas em 28 de agosto. E tem músicas tocadas em rádios do Ceará e Tocantins. Dia 31, ele esteve no programa Video Show, na Rede Globo, onde cantou quatro músicas para Chitãozinho e Xororó, vestido de sushiman. Com a dupla, cantará no Japão em um show para o Unicef, em dezembro ou janeiro.

Com botas e chapéu de caubói, ele canta canções romântico-sertanejas. Hirata, que acabou de lançar o CD Sonho de um Brasileiro pelo selo Nipomusic - criado para lançar o brasileiro no mercado fonográfico -, já é uma estrela no Japão. Em três semanas, vendeu 8.500 cópias lá. Concorrendo com 80 mil candidatos, ele venceu em março de 1994 o maior concurso de música amadora da Ásia, NHK-Nodoginam, que existe há 50 anos. Na época, abandonou a carreira no Japão e voltou ao Brasil.

Um ano antes, sua mulher, Lirian, grávida de sete meses, e a filha Ariane tinham retornado por causa das dificuldades financeiras. "Meu segundo filho já havia nascido e eu ainda não o conhecia", lembra Hirata. "Prometi que juntaria dinheiro e voltaria." Ele trabalhava numa fábrica 14 horas por dia, à noite era barman num karaokê e aos sábados cavava poços artesianos. Fazia 170 horas extras por mês.

Envie esta página para um amigo Passou três anos no Brasil e só em 1997 voltou ao Japão, desta vez como executivo de uma empresa de assistência médica e com a meta de retomar a carreira como cantor. "Tive sorte, pois meu chefe resolveu me empresariar." No ano passado, Hirata gravou um CD single, patrocinado pelo empresário Tsutomo Matsumoras, dono do grupo Nipomed de saúde. "Ele tem potencial e é uma pessoa humilde", diz Matsumoras, que criou o selo Nipomusic. No Japão, o single vendeu 10 mil cópias. No CD Sonho de um Brasileiro, uma das músicas foi composta pelo compositor Peninha. Músicas japonesas, agora, só canta por hobby. "Não sou japonês, sou brasileiro", afirma ele, nascido em Maringá.