23 de setembro de 1999
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Justiça

Morte e vida de Yara Amaral
Bernardo Goulart escreve a biografia da mãe, a atriz que faleceu na tragédia do Bateau Mouche

Luís Edmundo Araújo
do Rio de Janeiro

Aos 16 anos, ele era um típico garoto da zona sul carioca, que não perdia nada para surfar nas ondas da praia de São Conrado, onde mora até hoje. Nem mesmo as manifestações por justiça, feitas pelas vítimas e parentes dos 55 mortos no acidente com o barco em que ele perdeu a mãe e a avó de uma só vez, na tragédia do Bateau Mouche IV, no réveillon de 1989, no Rio. Dez anos depois, o empresário Bernardo Amaral Goulart, 26 anos, um dos donos de uma importadora de balas e doces, filho da atriz Yara Amaral, é um lutador incansável pela condenação dos culpados. Para coroar a nova fase, Bernardo escreve um livro sobre a vida de sua mãe. "Quero manter viva a sua memória."

A mudança de comportamento começou há sete anos, quando Bernardo participou da fundação da Associação Bateau Mouche Nunca Mais. Inicialmente, a entidade foi criada para auxiliar as vítimas menos favorecidas da tragédia, como os garçons e bailarinos que trabalhavam no barco. A impunidade dos acusados deu força ao movimento que ele hoje preside, oferecendo suporte jurídico a 150 pessoas.

Envie esta página para um amigoOs empresários espanhóis Faustino Puertas Vidal e Avelino Fernandez Rivera e o português Álvaro Pereira da Costa, sócios da empresa Bateau Mouche Rio Turismo, fugiram do Brasil em fevereiro de 1994, depois de condenados a quatro anos de prisão. Além de não terem cumprido a pena a que foram condenados, os sócios do Bateau Mouche também não pagaram indenizações aos parentes das vítimas. Mas Bernardo ainda mobiliza advogados para cuidar do caso. "Não consigo entender como a Justiça ainda não botou esses caras atrás das grades", afirma.

Sem deixar de lado os desdobramentos do caso Bateau Mouche, o livro de Bernardo terá dados da vida pessoal de Yara Amaral, que morreu aos 52 anos. Em alguns capítulos poderão ser lidas histórias divertidas, como a origem do nome do empresário, uma exigência do cineasta Bernardo Bertolucci, amigo do pai de Bernardo, o também cineasta Luiz Fernando Goulart, 57 anos. O primeiro filho de Yara morreu 20 dias depois de nascer. Depois disso, uma doença obrigou a atriz a fazer um tratamento em Londres para engravidar novamente. Luiz Fernando e Yara estavam em Paris quando receberam o resultado do exame de gravidez. "Meu pai estava com Bernardo Bertolucci e ficou esperando minha mãe, que tinha ido ao correio", conta o empresário. "Quando ela levou o resultado, o Bertolucci disse que, se eu nascesse, teria de me chamar Bernardo." Apesar da exigência, o filho de Yara Amaral nunca conheceu o cineasta italiano.