23 de setembro de 1999
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Terra de Paixões
Cowboys dos anos 40 cultuam a fraternidade masculina em filme do inglês Stephen Frears

Geraldo Mayrink

Foto:Universal

À primeira vista, diante daqueles cavaleiros de chapelões dando suas tragadas, surge a sensação estranha - pela paisagem soberba, pela música poderosa e estridente - de que os comerciais de cigarro evoluíram para o longa-metragem de ficção. Nada mais enganoso. Terra de Paixões (The Hi-Lo Country) está mais perto da tragédia do que da apologia da fumaça. A tragédia, como em outros faroestes crepusculares, é que seus personagens estão de certa forma mortos e não foram informados disso. Todo o filme é um hino estridente a um valor antiquado e supostamente perdido, a fraternidade masculina.

Envie esta página para um amigoDeslocados no tempo (anos 40), os cowboys Big Boy (Woody Harrelson, O Povo Contra Larry Flynt), Pete (Billy Crudup, Todos Dizem Eu te Amo) e Little Boy (Cole Hauser, Gênio Indomável) vivem como se fossem John Wayne, Randolph Scott ou James Stewart no tempo das diligências. São viris como há muito não se via numa tela, amigos de sangue, honestos à sua maneira brutal e firmes na sua obsessão em pastorear o gado como no século 19. Sendo filme de inglês, Stephen Frears, talentoso e algo depressivo (Ligações Perigosas e Os Imorais), a terra prometida é manchada por bebedeiras, ciúmes e até por um acontecimento impensável nos velhos bons tempos: um “ménage-à-quatre” entre dois homões e a assanhada Mona (Patricia Arquette, Estrada Perdida), casada com outro. No Oeste de lenda, um cavalo sempre valeu mais que uma mulher. Os cowboys da era industrial ainda acreditam nisso no fundo dos seus peitos de aço. É sua perdição.

Assiste-se a um filme de Frears com um prazer ambíguo, pela astúcia dramática, mas a beleza da terra acaba provocando uma sensação de sufoco, pelo contraste, e isto provoca uma sensação de desprazer igualmente ambígua.
Mortos sem sepultura

Woody Harrelson, Billy Crudup, Cole Hauser, Patricia Arquette