23 de setembro de 1999
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Atletas do Brasil
Um registro diferente da atual geração de esportistas na visão da fotógrafa Cláudia Jaguaribe

Nellie Solitrenick e Lilian Amarante

Foto: Cláudia Jaguaribe

Livros de fotografias não costumam freqüentar as estantes dos brasileiros, uma questão cultural e econômica que reforça a ousadia do mais recente livro da fotógrafa Cláudia Jaguaribe, Atletas do Brasil (224 págs., R$ 49). A maratona fotográfica de Cláudia - uma carioca de 42 anos, filha do sociólogo Hélio Jaguaribe e casada com o economista André Lara Rezende - começou pouco antes das Olimpíadas de Atlanta. Na época, ela propôs ao jornal Folha de S.Paulo um registro diferente dos nossos atletas, fotografados sempre da mesma maneira. A idéia vingou e Cláudia não parou mais. Terminada a cobertura para o jornal, ela continuou comparecendo às quadras e salas de treinamento, já pensando no livro.

Atletas do Brasil tem 215 páginas dedicadas exclusivamente à fotografia. É um retrato nada convencional da atual geração de atletas brasileiros, com imagens - por vezes tremidas ou fora de foco- que revelam a matéria-prima do esporte: movimento, velocidade, força e habilidade. No lugar dos retratos posados - exclusivos para ídolos do passado, como Zico, Hortência e Emerson Fittipaldi - Cláudia preferiu os detalhes e a expressão dos corpos quando colocados no limite da força ou da velocidade, tudo em preto e branco, com impressão especial em dourado.

Envie esta página para um amigoPara fazer o livro, Cláudia Jaguaribe deixou de lado as cores e a experiência de fotografar em estúdio - marcas de seu trabalho - e se lançou às incertezas da vida real ao ar livre. Precisou de dois anos e uma boa dose de paciência para driblar a vaidade e falta de tempo dos atletas. Mas estão todos lá, fazendo o que sabem melhor: esporte. Robson Caetano foi fotografado correndo na praia, o mesmo cenário das meninas do vôlei, Jaqueline e Sandra. Oscar Schmidt, do basquete, com a bola na mão, está na quadra e a delegação do judô foi traduzida por um emaranhado de mãos, corpos e quimonos, em pleno golpe. Nas páginas do futebol, aparece o ídolo Bebeto. Mas de quem será a chuteira que aparece em close, atacando a bola?

Atletas do Brasil é um trabalho delicado e sem pretensões didáticas, que emociona pela liberdade na realização. Só mereceria retoque na estratégia de lançamento, posterior ao Pan-americano e tão longe das Olimpíadas de Sidney, ano que vem, na Austrália.
Medalha de prata

Cláudia Jaguaribe (Sextante)