9 de agosto de 1999

 


Televisão

por Silvia Oroz

Zorra Total
Rede Globo (Sábado às 22h)

Quando o espectador toma assento para assistir a Zorra Total, depois de padecer muito, não sabe se está assistindo a um programa ou a vários. É que a reformulação do Zorra -muito anunciada e, enfim, realizada - deixou o programa ainda mais confuso.
O que mudou? A princípio, não o que deveria. O Zorra Total continua sofrendo com um roteiro no qual os personagens falam, falam, mas não conversam - exceção para o divertido talk show de Alberto Roberto, personagem de Chico Anysio que na última semana entrevistou Miguel Falabella.
Cláudia Jimenez ganhou novos personagens, mas as piadas antigas (da época do teatro de revista) nem sempre funcionam. Pedro Cardoso é o mais novo humorista do Zorra e tem um quadro escrito por Marcelo Rubens Paiva, que não difere muito do que Pedro já fazia no Vida Ao Vivo Show.
Tira daqui, põe ali. A solução não está na entrada ou saída de atores, mas na busca de uma identidade, coisa que o programa não tem. Aliás, é a grande diferença do concorrente A Praça É Nossa, apresentado no mesmo horário pelo SBT. Pode-se gostar ou não, mas não se pode negar a coerência na sua estrutura humorística.
Zorra Total tem uma forma clássica de humor, que se popularizou no circo, no rádio e nos primeiros anos da televisão. Deveria se inspirar no ótimo Casseta e Planeta, humor com referências atualizadas e uso constante dos mais modernos recursos de edição e filmagem que a tevê oferece. Bagunça completa