Terrorismo e privacidade
11/9/2002
Há exatamente um ano, o mundo assistiu aos ataques ao World Trade Center e ao edifício do Pentágono. A reação aos atentados inaugurou uma campanha antiterror no bojo da qual vieram conseqüências impactantes para a rede mundial de computadores: a vigilância crescente e a supressão de liberdades. O controle sobre a Internet cresceu no mundo todo. E mais do que isso: conforme o relatório da ONG Repórteres sem Fronteiras, até as ditas democracias ocidentais "adotaram leis, medidas e ações destinadas a colocar a Internet sob a tutela dos serviços de segurança". Bloqueio de sites e intimações para que provedores quebrem o sigilo que envolve seus usuários, de acordo com a RSF, somam-se às legislações que, sob o argumento da defesa contra o terrorismo, aumentam o controle do Estado sobre os indivíduos e suas práticas na (e fora da) rede mundial.
Na mesma semana, o Centro de Informações sobre Privacidade Eletrônica (EPIC) e a organização Privacy International lançaram a sua quinta Pesquisa Anual sobre Privacidade e Direitos Humanos. O relatório mostra que a justificável luta contra o terrorismo tem ensejado abusos, mesmo nos países ditos desenvolvidos, em que os direitos humanos deveriam prevalecer. E cita exemplos: o Canadá adotou uma controversa definição de "atividade terrorista", sob a qual se permitem prisões "preventivas". Na Dinamarca, as autoridades têm agora o direito de instalar secretamente softwares espiões nos computadores de suspeitos de crimes e de ordenar a retenção de dados pelos provedores. No Reino Unido, o governo está forçando a introdução de um cartão nacional de identificação. Na Índia, a polícia ganhou amplos poderes para prender ou deter suspeitos de terrorismo, conduzir vigilância eletrônica e reduzir a liberdade de expressão. O estudo pode ser baixado (arquivo PDF) no endereço www.privacyinternational.org/survey/phr2002.
Um grupo de estudantes do Centro para História e Meios Informativos de Nova York, da Universidade George Mason de Fairfax, está criando um arquivo digital para reunir centenas de e-mails, fotografias, vídeos, trechos de bate-papos e até conversas telefônicas relacionadas aos atentados do dia 11 de setembro. Entre as mensagens, aparecem algumas interessantes, como a de Lisa Beaty para o seu marido: "Se tivesse tomado o trem que tentei pegar esta manhã, estaria no World Trade Center quando bateu o avião. Às vezes vale a pena chegar tarde". O projeto começou em janeiro e incluiu visitas às famílias das vítimas em Nova York, Washington e Shanksville, na Pensilvânia. "Projetos como esse representam uma nova forma de captar impressões sobre os fatos históricos e de registrar as reações dos Estados Unidos", afirmou Lee Rainie, diretor do arquivo digital. O endereço é 911digitalarchive.org/. Outras iniciativas do gênero são o The September 11 Web Archive e o The Sonic Memorial Project.
O leitor Luiz Timotheo manda a dica de um site bastante completo e atualizado sobre a Redenção, o Parque Farroupilha, coração de Porto Alegre: www.parquefarroupilha.hpg.com.br.
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