14/06/2001
O fim da inocência na Web
Em meio a dezenas de notícias de sites e empresas ponto com que fecham, o fim da Automated Media, responsável por dois dos mais antigos e famosos sites de comentários da Internet, Suck.com e Feed Magazine, pode passar despercebido. Mas com o naufrágio desse tipo de iniciativa - alternativa, profunda e criativa - morre também um gênero de website, os sites autorais. Esses sites foram criados quase sempre por profissionais de Internet nas horas vagas e se tornaram negócios reais quando o dinheiro jorrava fácil para qualquer empresa online. Agora que a torneira secou e a força de vontade para manter as atualizações na base do amor diminuiu, o sonho finalmente acabou. Manter um website hoje em dia exige muita tecnologia, equipe dedicada e investimento. Por um lado, essa é a notícia ruim, já que menos sites independentes conseguem sobreviver. Por outro, é sinal de maturidade. A Internet está se tornando uma mídia de verdade.
Outro "sinal dos tempos" foi a venda da revista Business 2.0 para a AOL Time Warner. A revista trata de novos modelos de negócios, principalmente na Internet. Chegou a ter mais de duzentas páginas no Natal de 1999, mas as edições mais recentes tinham menos da metade do tamanho. Os anunciantes ponto com também desapareceram. A compra pode ser um bom negócio para a empresa, já que entra para a mesma editora da Time Magazine e da People. O motivo da compra é que assusta. A AOL Time Warner afirma que o principal objetivo é encartar uma revista sua, chamada ECompanies Now.
A nova versão do Office, a XP, está é o centro de mais uma discussão sobre as intenções boas ou más da Microsoft. Um colunista do Wall Street Journal, chamado Walt Mossberg, em um texto republicado pela Gazeta Mercantil na última sexta-feira, alertou para o perigo de um novo recurso do Office XP, o Smart Brands (marcas inteligentes). Esse recurso permitiria ao Office XP acresentar links em qualquer site da Internet, colocando um menu de links em determinadas palavras - marcas, por exemplo - da página. Esses links, na versão testada pelo colunista, iriam todos para sites da própria Microsoft. Assustado, o colunista acusou a Microsoft de usar a dominância que tem em uma determinada plataforma, no caso, a de pacotes de aplicativos, para turbinar outra divisão da empresa, a de serviços online. O pessoal da ZDNet veio em socorro à Microsoft e disse que a coisa não é bem assim. David Coursey, no Anchor Desk, diz que o Wall Street Journal errou, mas também não desmente o colunista. Coursey sustenta que o Office XP virá com essa função desligada e que os webmasters poderão criar proteções para que esse tipo de anotação não possa ser feita em cima de seus sites. O novo Office vem recheado de novidades que ampliam a conexão do micro com a Internet. Como era de se esperar, estar conectado traz sempre suas vantagens e desvantagens.
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