17/01/2001
Pás e picaretas
Como em qualquer corrida do ouro, na grande movimentação de negócios na Internet, os maiores ganhadores são os vendedores de pás e picaretas, ou seja, de equipamentos e sistemas que formam a infra-estrutura básica para se erguer negócios na rede. Não é à toa que por muito tempo explodiram as ações de empresas de tecnologia como Oracle e Cisco. Na contínua ciranda da Nasdaq, há mais preocupações este ano que a queda dos papéis das empresas virtuais. Ações de empresas mais "reais" como a Cisco nunca estiveram tão baixas. Para explicar melhor, a Cisco é uma das maiores fornecedoras de equipamentos para empresas que montam sites na Internet. Fabrica roteadores e conectores de redes de computadores.
George Shirk, editor-chefe da Wired, esteve no Brasil na última semana para lançar o serviço Wired News em português. Bíblia da geração digital e inovadora no jornalismo dos anos 90, a revista tornou-se símbolo dos negócios e costumes da era Internet. Em sua versão web, a Wired foi o primeiro site a veicular os banners. Na época, houve uma comoção generalizada. Até então, os puristas defendiam a Internet como puramente acadêmica e livre da intromissão de " pragas do capitalismo " como a intrusiva publicidade. Hoje ninguém mais lembra disso e todo site sonha com vendas de banners para se manter no ar. Shirk fez roteiro na América Latina e lançou a versão local do site também na Argentina. Assisti a sua palestra na Câmara de Comércio Americana em São Paulo e me marcou o comentário de que as pessoas lêem 25% mais devagar na tela do computador do que no papel. Por isso, um dos cuidados de Shirk é manter sempre ao alcance do mouse a opção de imprimir uma notícia.
Países como Laos ou Tuvalu estão fazendo um negócio interessante na rede: vendendo endereços com seus domínios. O de Laos, .la, é bastante procurado. Mais de 130 empresas americanas estão cadastradas para realizar estas negociações. No Brasil, somente a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ligada ao Comitê Gestor da Internet, detém o direito a registrar os endereços.br e cobrar por isso. Empresas como a BulkRegister.com, Wregister e Domainnames pressionam o governo para abrir o mercado.
Vale visitar o site do projeto Mar Íntimo, criado por velejadores para produzir mapas náuticos da costa brasileira, com dicas e instruções para navegadores. A primeira etapa do projeto é mapear o litoral do Nordeste, criando cinco rotas detalhadas. O endereço é www.marintimo.com.br.
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