1º/11/2000
O espião na Microsoft
A Microsoft classificou o ataque dos hackers ao seu sistema como espionagem industrial. Foi bem mais que isso. O CEO Steve Ballman confirmou que os invasores tiveram acesso aos códigos fonte de programas, mas negou que tivessem feito alterações. O fato, além de ser uma violação de arquivos secretos, não deixa de ser irônico: logo a empresa que descentralizou a informática, que batalhou para o fim dos dinossáuricos mainframes, teve seus segredos devassados por invasores.
Ninguém sabe a profundidade do ataque, mas haverá consequências para todas as empresas de software e também para aquelas que usam seus programas. O incidente envolve o crime organizado ou grupos de piratas de software, não sabe ao certo. Certo é que o fato enfatiza a necessidade de uma legislação mais forte contra os cibercrimes. O grande problema deste tipo de lei é a sua aplicação no mundo globalizado. Quem garante que o invasor dos bancos de dados de Seattle não estava na Rússia ou na China? E se for descoberto, o pirata será extraditado? Todas perguntas sem resposta. De acordo com estudo da American Society for Industrial Security (ASIS), as 1000 maiores empresas americanas da relação da revista Fortune acusam perdas de mais de US$ 45 bilhões em 1999 pelo roubo de informações proprietárias. Em meados dos anos 90, segundo o FBI, as perdas anuais eram de US$ 24 bilhões.
O ataque à Microsoft começou dia 14 de outubro, quando um funcionário recebeu um e-mail que conseguiu se propagar e instalar o software espião no sistema corporativo. A partir do computador do funcionário e de posse de suas senhas, o hacker seguiu acessando outras máquinas da rede. Parece simples demais.
Os programas de espionagem são chamados Spywares. Chegam ao micro no download de softwares de empresas não confiáveis, geralmente junto de freewares e sharewares, e realizam coleta e envio de informações. No pacote que chega ao micro do usuário, o spyware vem na forma de um arquivo executável, que é instalado pelo usuário, despercebidamente na maioria das vezes. O programa espião pode estar programado para estabelecer comunicação com seu servidor toda vez que detectar que o usuário está online. Daí em diante, a porta está aberta para o "roubo" de qualquer informação que está no micro. Alguns spywares permitem até monitorar o que se digita no teclado. Outra forma de envio de informações é por e-mail. O programa espião utiliza o gerenciador de correio eletrônico para enviar os dados para um endereço definido.
Chega ao Brasil esta semana o site de entretenimento El Foco, mais um empreendimento web com versões também para Espanha, México e Argentina. Com conteúdo sobre cinema, teatro, artes e comportamento, pode ser acessado pelo endereço www.elfoco.com.br.
Volta para a capa
|