26/07/2000
Promessas, promessas
Cinco anos depois do início de fato da Internet no Brasil, o cenário está em total ebulição. O melhor de tudo é que quem ganha é o consumidor. A concorrência entre as empresas de Internet pelo mercado brasileiro trouxe tantos novos produtos e serviços que a principal questão no momento é descobrir se há usuários para tanto.
O melhor exemplo desse desespero por lançar novos produtos ligados à rede é a recente enxurrada de "portais WAP", ou seja, sites que podem ser acessados pelo celular. Desde o início do ano, pelo menos uma vez por semana, há lançamento de um site WAP. O problema é que só existem aparelhos celulares
capazes de acessar esse conteúdo em alguns estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo). Além disso, a propaganda da maior parte das empresas dá a impressão de que é possível acessar toda a Internet a partir do celular. Não é bem assim. Na prática, somente podem ser acessados sites feitos especificamente para WAP.
O primeiro provedor de Internet pela TV surpreendeu não só pela rapidez com que entrou no mercado, mas também pela origem da empresa. A MyWeb vem da Ásia. A WebTV, comprada pela Microsoft, até agora não lançou nada no Brasil, apesar da participação da MS na GloboCabo, dona do Virtua, o serviço de Internet via cabo. No caso da MyWeb, não há assinatura mensal, mas o aparelho necessário para acessar custa pouco menos de R$ 400.
Como os serviços de WAP, é preciso ter claro que não é prático acessar qualquer site pela televisão. Apenas os sites feitos especialmente para TV serão atraentes para os consumidores. O principal problema é a qualidade das letras, muito inferior à de um monitor de computador. Os serviços mais utilizados serão o correio eletrônico e as salas de bate-papo.
Mesmo assim, é um mercado atraente. No Brasil, somente uma em cada dez residências tem computador. A TV está em praticamente todos os lares brasileiros. Um levantamento feito pelo Ibope revelou que 42% dos
consumidores pesquisados pagariam US$ 10 por mês para acessar a Internet pela TV.
Mas as caixinhas conectadas à televisão podem ser mais úteis aos canais tradicionais de TV do que para os portais. Imagine participar do Show do Milhão direto de casa. Os programas de TV no futuro oferecerão essa interatividade, que só vai aparecer para quem tem um aparelho do tipo WebTV.
A oferta de conteúdo broadband -- música, filmes, vídeos -- é o concorrente mais forte ao título de próximo assunto mais falado da Internet no Brasil. Mesmo que já existam desde o início do ano provedores de alta velocidade a cabo e ADSL, o consumo desse tipo de conteúdo é pequeno. As poucas pessoas que já têm conexão rápida, cerca de 20 mil no País, não estão particularmente interessadas em multimídia, mas na maior velocidade para acessar a rede. É verdade que ainda não há tanto conteúdo em vídeo feito exclusivamente para a Internet, mas isso deve mudar em breve. Grandes estrelas da TV já assinaram contratos com portais para fazer sites multimídia. O importante é não competir com a televisão, já que a qualidade da imagem na rede será sempre inferior.
Com o previsível nome de Jon Johansen, o norueguês de dezesseis anos virou celebridade nos Estados Unidos ao ser convocado a testemunhar sobre o programa que criou para assistir vídeos em DVD no Linux. Não há outra forma de assistir filmes DVD nesse sistema operacional. O problema é que o mesmo programa, chamado de DeCSS, também pode ser usado para copiar filmes inteiros em DVD e passar para outras pessoas pela Internet, um ato claro de pirataria. Do lado de fora do tribunal, manifestantes empunhavam cartazes com o rosto do jovem programador. Johansen virou ídolo da comunidade open-source, basicamente formada por programadores que apóiam a criação de software cujo código fundamental é aberto, como o Linux. O caso ganhou notoriedade porque quem se opõe ao DeCSS é a poderosa indústria de cinema de
Hollywood.
Caíque Severo (interino)
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