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Professor destaca 5 motivos para usar videogames em salas de aula

O professor Andre Thomas, da Texas A&M University, defende que incluir games nas escolas ajuda no aprendizado dos alunos

17 set 2021 19h47
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Enquanto a China limita o tempo de jogo de crianças e adolescentes, com a justificativa de evitar um possível vício, outros países estão estudando os benefícios dos videogames na vida dos jovens, em especial na educação. O professor e pesquisador Andre Thomas, da Texas A&M University, acredita que os jogos podem ser aliados nas salas de aula para formar profissionais críticos e capacitados para a vida adulta.

Videogames podem ajudar no aprendizado nas escolas
Videogames podem ajudar no aprendizado nas escolas
Foto: Reprodução/YouTube Minecraft: Education Edition / Tecnoblog

China alega que jogos afastam jovens da vida profissional

A China não vê com bons olhos crianças jogando videogames. Mesmo tendo o maior mercado de games do mundo, o governo chinês alega que menores de 18 anos são mais propensos a se viciarem em jogos online, principalmente nos celulares. A Tencent apoia tanto essa teoria que usa um sistema de reconhecimento facial para impedir a jogatina à noite.

Com o novo toque de recolher restrito, o país espera que os jovens não só passem menos tempo jogando e gastando menos dinheiro em microtransações, como também "direcionem a futura força de trabalho para atividades mais produtivas".

Enquanto isso, diversos pesquisadores da educação defendem o contrário. Para o professor Thomas — game designer especializado em aprendizado com jogos —, os videogames são muito mais que somente uma forma de escapar do mundo real e podem ser usados como ferramenta de ensino.

Videogames são usados em sala de aula desde 1970

Nos EUA, os videogames apareceram pela primeira vez em salas de aula em 1971, com o título The Oregon Trail — um game educativo de aventura point and click (apertar e clicar) baseado em textos, no qual os jogadores viviam a história de um grupo de colonos que viajava pelo centro-oeste dos Estados Unidos, na migração pela Rota de Oregon, em 1843.

Desde então, os jogos continuam sendo usados nas salas de aula. Hoje em dia, algumas escolas adotam games famosos como parte do currículo. Minecraft, por exemplo, é usado para ensinar matemática, geografia, cultura e até trabalho em equipe. Já Fortnite tem aparecido como esporte oficial em alguns colégios dos EUA.

The Oregon Trail mostrava a dificuldade dos colonos dos EUA no processo de migração
The Oregon Trail mostrava a dificuldade dos colonos dos EUA no processo de migração
Foto: Reprodução/ObscureMedia / Tecnoblog

As vantagens dos games no ensino, segundo Thomas

Thomas ainda afirma que os videogames podem ajudar na implementação do método STEM (Science, Technology, Engineering and Math) em escolas. Essa forma de ensino tem se popularizado nos últimos anos e, em resumo, busca trabalhar matérias relacionadas a ciências, tecnologia, engenharia e matemática de forma simultânea e inusitada, por meio de atividades do dia a dia, como jogar.

Além disso, os games permitem que crianças interajam em tempo real com as matérias. Na franquia Civilization, por exemplo, os jogadores controlam líderes mundiais e precisam fazer uma nação inteira prosperar. Assim, os alunos podem vivenciar as histórias do passado enquanto praticam teorias que aprendem nos livros de forma divertida.

Ainda segundo o professor Thomas, os videogames fazem com que as crianças aprendam com o fracasso de forma segura. Quando você perde em um jogo, dá para se redimir na mesma hora ao começar a gameplay desde o início. Por mais que o sentimento de frustração ainda exista, é muito mais fácil tentar novamente para melhorar as habilidades.

Os jogos também são capazes de manter as crianças engajadas por muito mais tempo. Não vai adiantar aumentar o tempo dos alunos na escola, se eles não estiverem interessados em aprender. Por oferecerem uma sensação de conquista constante, os videogames costumam prender a atenção dos jovens por horas.

Por fim, os games conseguem trazer diversão na hora de aprender assuntos complexos. Muitos alunos têm dificuldade em aprender e decorar a tabela periódica, por exemplo. Por outro lado, essas mesmas crianças conseguem memorizar sem problemas uma matriz tridimensional complexa com 27.624 valores: a tabela de vantagens e desvantagens de cada tipo de Pokémon.

Isso acontece porque aprender jogando é muito mais fácil e prazeroso. Pokémon, Civilization, Minecraft ou Fortnite não foram desenvolvidos para serem jogos educativos, mas seus princípios de design e mecânicas de gameplay podem ser usados como inspiração para futuros games focados no aprendizado em sala de aula.

Com informações: The Conversation.

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