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eSports, partidas de xadrez e a obscuridade para os leigos

Para o Grande Mestre Alexander Grischuk, assistir eSports pode ser tão confuso quanto uma partida de xadrez é para quem não conhece o milenar jogo

22 abr 2021
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Assistir uma partida de eSports não é algo que pode ser recomendado para qualquer pessoa. Apesar de ser alguém que não joga League of Legends ou Dota 2, eu já me dispus algumas vezes a sentar diante da TV para ver como era um torneio desses jogos, mas em todas as tentativas não consegui permanecer interessado por mais do que alguns minutos.

Foto: Meio Bit

Para quem não possui um bom conhecimento das mecânicas e jargões dos MOBAs, assistir uma disputa entre jogadores profissionais é como estar no meio de um tornado, com tudo o que acontece na tela parecendo um verdadeiro caos. Para piorar, aqueles que participam da transmissão — narrando ou comentando — normalmente não ajudam muito a nos fazer compreender todos aqueles números, explosões ou personagens correndo de um lado para o outro no mapa.

No entanto, por se tratar de uma mercado que poderá valer US$ 1,65 bilhão ainda em 2021, é natural que até as emissoras de televisão estejam de olho nos eSports, querendo conquistar o maior público possível, mas algo que todas as transmissões falham é ao entregar o produto para um público que não esteja familiarizado com o assunto. Isso faz com que as partidas acabem sendo voltadas apenas para um seleto grupo de pessoas, assim como acontece com o xadrez.

Quem defendeu esse ponto de vista foi Alexander Grischuk. Atualmente entre os 10 maiores Grande Mestres do mundo, o russo concedeu uma entrevista ao site Chess24 e ao ser questionado sobre a importância do público para uma partida de xadrez, ele afirmou que ter poucas pessoas assistindo sempre foi comum e contou como a sua experiência com os videogames o ajudou a entender como a maioria das pessoas se sentem ao assistir um duelo entre enxadristas.

"Eu adoro esportes no geral — futebol, hockey, handball, basquete, tênis — e vários jogos, como por exemplo os de cartas. Uma vez estava livre e decidi assistir assistir o campeonato mundial do jogo Dota 2. Eu baixei um vídeo de treinamento. Conversei por meia hora com Nepomniachtchi, porque certa vez ele jogou o Dota semi profissionalmente, escolhi os comentários para iniciantes e… durante as três horas em que a final durou, eu não entendi nada.

Em vez disso, tive uma ideia de como é para as pessoas assistirem a xadrez. É claro, o computador pode te dizer quem está em posição vencedora, mas só é realmente interessante para algumas poucas pessoas, quem possui um certo nível de conhecimento e habilidades."

A pessoa citada por Grischuk é Ian Nepomniachtchi, número 4 no ranking mundial do xadrez e que em 2011 chegou a vencer um torneio de Dota em Kiev, Ucrânia. Atualmente ele atua como comentarista em uma serviço de streaming que cobre o The International, torneio mundial de Dota 2, além de ser um grande fã de Hearthstone.

Vale mencionar que o MOBA da Valve tem despertado o interesse e sido jogado por vários enxadristas da elite, como por exemplo o filipino Wesley So, número 9 do ranking e principalmente, Magnus Carlsen, campeão mundial da modalidade e que para muitos é o maior jogador de xadrez de todos os tempos.

eSports
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Foto: Meio Bit

Mas se uma partida de Dota 2 pode ser incompreensível até para aqueles tão acostumados a utilizar o raciocínio estratégico constantemente, imagine para nós, meros mortais? Pense no futebol: muitos daqueles que não conhecem as regras do esporte costumam interromper o que estão fazendo para assistir a um jogo de Copa do Mundo ou a final de um campeonato importante, tendo uma experiência satisfatória.

Isso se deve ao fato de que durante as transmissões essas pessoas conseguem ter uma certa compreensão do que está sendo mostrado na tela, muito devido à maneira didática que alguns narradores tratam o público.

Mas não pense que o problema dos MOBAs está apenas nos espectadores. Contando com um alto nível de complexidade e uma curva de aprendizado bastante íngreme, é comum os interessados desistirem de jogos como League of Legends e Dota 2 ainda nas primeiras horas. No caso do jogo da Valve, a empresa tem se esforçado para contornar o problema, com ele tendo dado origem à animação Dota: Dragon's Blood na Netflix e recebido um tutorial muito mais amigável para novos jogadores.

Quanto às transmissões de eSports, talvez nunca aconteça de as pessoas conseguirem fazer com que as disputas se tornem minimamente compreensíveis para aqueles que não costumam jogar e tais competições não cheguem a alcançar um público que vá além dos jogadores. Se isso acontecer, como até alguns jogos de tiro podem ser mais difíceis de acompanhar devido o ritmo frenético desses torneios, restará aos leigos se divertirem assistindo partidas de games de mais fácil entendimento, como aqueles que simulam esportes ou jogos de luta.

Fonte: Game Rant

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