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Conseguirá o EVE Online se tornar um jogo eterno?

Sendo um dos MMOs mais bem sucedidos de todos os tempos, EVE Online completa 18 anos de vida e o pessoal da CCP Games agora mira na eternidade

7 mai 2021 11h14
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Quando a CCP Games lançou o EVE Online, o mundo ainda não conhecia o Steam e os fãs de FPS aguardavam ansiosamente pela chegada do primeiro Call of Duty. No campo dos MMOs, títulos como PlanetSide, Star Wars Galaxies e Final Fantasy XI ainda não tinham chegado às lojas e mesmo o World of Warcraft só seria disponibilizado no final do ano seguinte, 2004. Mas enquanto muitos fracassaram em conquistar seu público, aquele jogo espacial continua por aí, firme e forte.

EVE Online
EVE Online
Foto: Meio Bit

Nascido da paixão dos criadores pela série Elite, a intenção do estúdio islandês era mesclar a ficção científica, mais precisamente a exploração espacial, com os elementos que transformaram o Ultima Online em um grande sucesso, no caso as batalhas entre jogadores e a possibilidade de conversarmos com outras pessoas enquanto jogamos. Eles então se debruçaram nos principais pilares da franquia criada por David Braben, que era a possibilidade de utilizarmos as naves para mineração, traçar rotas de comércio e é claro, lutarmos contra NPCs.

Mas conforme a comunidade se formava em torno do EVE Online e a CCP fazia melhorias no jogo, dois aspectos se tornaram sua marca registrada: a economia guiada pelas ações dos jogadores e as gigantescas batalhas travadas ocasionalmente. Uma das maiores foi o Banho de Sangue de B-R5RB, que aconteceu em 2014 e envolveu mais de 7.500 jogadores, mas o que já havia sido imenso se tornaria ainda maior, com outros dois conflitos tendo reunido um número maior de pessoas nos anos mais recentes.

Manter este universo virtual funcionando por tanto tempo e principalmente, sendo capaz de continuar atraindo a atenção dos jogadores não é uma tarefa simples, mas mesmo sem o jogo ter os milhões jogadores ativos vistos em outros títulos, engana-se quem acha que o futuro do EVE Online é incerto. Na verdade, de acordo com o CEO da desenvolvedora, este é um game que "nunca irá morrer."

"As pirâmides, a Grande Muralha da China, a bíblia... tipo, faça sua escolha," desafiou Veigar Pétursson. "Há muitas coisas que duram para sempre. O conceito do dinheiro, do dólar americano… Essas são construções sociais e os jogos não são diferentes. Eles são construções sociais e se fizerem um bom trabalho em serem relevantes e se manterem atualizados com o tempo, não há razão para terminarem.

Os planos mais loucos para o EVE Online eram que o jogo duraria cinco anos […] Agora, dizemos com extrema clareza que o EVE Online durará para sempre. Acho que começamos a falar deste conceito do 'EVE para sempre' em 2010 e era uma loucura dizer isso na época, mas agora em 2021 é algo que todos na CCP dizem e acreditam."

Tal declaração pode ser vista como apenas mais um devaneio de algum executivo nórdico ligado aos games, assim como quando o diretor administrativo da Rovio afirmou que sua empresa pretendia se tornar maior que a Disney. Porém, depois de tantos anos na ativa e ao sabermos que, graças ao sucesso alcançado com o EVE Online, a CCP saltou de apenas 35 para centenas de funcionários espalhados por três estúdios, é fácil perceber a empolgação.

O grande problema na previsão feita por Pétursson está na própria natureza do seu jogo, ainda mais numa época em que temos discutido tanto a dificuldade em preservar a história dos games e quem garante que daqui algum tempo os responsáveis pelo estúdio islandês não desistirão do seu principal produto? Ele mesmo afirma que depois de tanto tempo dedicados a apenas um jogo, vários membros da empresa estão interessados em trabalhar em coisas diferentes.

Foto: Meio Bit

Isso não quer dizer que eles não tenham se arriscado em outros projetos, como foi o caso de um MMO baseado na franquia World of Darkness ou do Dust 514, um jogo de tiro lançado para o PlayStation 3 e que estava diretamente ligado ao universo do EVE Online. Curiosamente, ambos não foram muito longe, com o primeiro tendo sido cancelado ainda quando estava em desenvolvimento e o outro tendo morrido em 2016.

Pode ser então que um dia a companhia islandesa consiga emplacar outro título tão ou até mais duradouro e bem sucedido quanto aquele que os colocou em evidência, mas Pétursson admite que tentar superar algo como o EVE é colocar sobre si mesmos uma pressão desnecessária. Isso faz sentido, pois sabemos muito bem que até que uma continuação direta viria carregada de uma expectativa absurdamente alta, com um enorme potencial para ser alvo de críticas.

Quanto a essa tentativa de eternizar o EVE Online, assumindo que o mais provável acontecerá e um dia não teremos mais os servidores do jogo funcionando, acredito que de certa forma o sonho do pessoal da CCP Games está garantido. Nem que seja na memória daqueles que dedicaram várias horas de suas vidas àquele vasto, rico e fascinante universo.

Fonte: Rock, Paper, Shotgun

Conseguirá o EVE Online se tornar um jogo eterno?

Meio Bit
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