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CEO da Activision há 30 anos, Bobby Kotick diz lamentar assédio e cogita sair

Em reunião com executivos, Kotick teria dito que poderia renunciar ao cargo de CEO, caso a cultura problemática da empresa não fosse resolvida "com agilidade"

22 nov 2021 14h24
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O CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, está cogitando deixar seu posto como presidente em meio às diversas polêmicas de assédio no ambiente de trabalho. Em uma reunião com executivos da companhia, na última sexta-feira (19), Kotick teria dito que poderia renunciar ao cargo, caso a cultura problemática da empresa não fosse resolvida "com agilidade". Por enquanto, ele segue como chefe da produtora.

Robert "Bobby" Kotick, CEO da Activision Blizzard
Robert "Bobby" Kotick, CEO da Activision Blizzard
Foto: Jordan Matter/Flickr Bobby Kotick / Tecnoblog

O comentário de Kotick sobre sua possível renúncia foi obtido originalmente pelo Wall Street Journal — mesmo jornal que havia publicado uma reportagem na semana passada, acusando o CEO de não só ignorar casos de assédio sexual na empresa desde 2018, como também desrespeitar e ameaçar fisicamente suas próprias funcionárias.

Nessa tal reunião, os líderes da Activision Blizzard teriam questionado a posição de Kotick como CEO da empresa e falado que alguns funcionários não ficariam satisfeitos até que ele deixasse o cargo. Em resposta, Kotick supostamente disse estar arrependido pelo seu comportamento no passado e pela forma como lidou com casos de assédio nos últimos 30 anos.

Desde que as ações de Kotick vieram à tona na reportagem do WSJ, funcionários da Activision Blizzard estão duvidando da capacidade do presidente de liderar a empresa. Em conversas com o RH, por exemplo, algumas pessoas tem perguntado se as novas políticas de tolerância zero para assédio sexual — assinadas pelo próprio CEO — se aplicam a Kotick.

Além de ser pressionado a sair da empresa por mais de 1.700 funcionários, Kotick tem sido criticado por acionistas da Activision Blizzard e parceiros comerciais da indústria de games, como Phil Spencer e Jim Ryan — chefes da Xbox e PlayStation, respectivamente.

Activision Blizzard quer criar comitê para evitar assédios

Para amenizar a situação, o conselho de diretores da Activision Blizzard quer criar um "comitê de excelência no local de trabalho", segundo o WSJ. Esse comitê serviria para ajudar a resolver os problemas na cultura empresarial. Porém, ainda não há qualquer previsão para isso acontecer ou planos de investigar o comportamento de Kotick.

Vale lembrar que mesmo após as denúncias publicadas pelo WSJ, o conselho de diretores da Activision Blizzard defendeu a liderança de Kotick, assim como suas ações para inibir novos casos de assédio no ambiente de trabalho. O conselho, por sua vez, é formado por pessoas próximas a Kotick, as quais estão em seus postos há mais de 20 anos.

Kotick pode receber indenização de quase US$ 300 milhões

A possível saída de Kotick da empresa pode não ser o fim do mundo para ele, pois o CEO tem a chance ganhar muito dinheiro com isso. De acordo com o repórter Stephen Totilo, da Axios, caso Kotick seja afastado pelo conselho da Activision Blizzard, sua indenização deve ser de mais de US$ 292 milhões (por volta de R$ 1,6 bilhão).

Essa quantia da indenização é calculada de acordo com o salário recebido pelo CEO, além de bonificações fixas e por desempenho, e participações nos lucros da empresa.

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É importante mencionar que Kotick já recebeu um pagamento de US$ 155 milhões (R$ 865 milhões) em bônus no início deste ano. Hoje, o CEO é um dos executivos mais bem pagos do mundo e acumula um patrimônio líquido de bilhões de dólares.

Com informações: The Verge, Eurogamer.

CEO da Activision há 30 anos, Bobby Kotick diz lamentar assédio e cogita sair

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