A exibição do documentário Living With Michael Jackson na noite de ontem foi realmente um evento da TV americana. Além do programa de duas horas de duração, a emissora ABC produziu um outro especial, analisando as cirurgias plásticas do ex-pop star, que incluiu uma entrevista com o jornalista inglês Martin Bashir, que passou oito meses acompanhando a vida bizarra de Jackson.A dose maciça de esquisitice serve apenas para confirmar o que todo mundo já sabe: o cantor é uma pessoa para lá de problemática, que vive em um mundo fantasioso e, por ter tão pouco contato com a realidade, já não consegue discernir ficção de realidade.
A versão americana do documentário reforçou ainda mais os assuntos mais temidos no país, em especial o fato de que crianças dormem no quarto do pop star. Na verdade o comportamento dele com os próprios filhos é o mais chocante do programa.
A visita ao zoológico de Berlin, em que ele foi cercado por uma multidão de papparazzi e fãs e não parece nem um pouco preocupado com a segurança das crianças, é um dos trechos mais chocantes. O simples ato de dar mamadeira ao filho mais novo se transforma em uma manobra nervosa e tensa. A obsessão por esconder o rosto das crianças com máscaras também é uma boa indicação do verdadeiro Michael.
O que o documentário realmente conseguiu mostrar é que ele não parece considerar nenhum ponto de vista que não seja o próprio. A insistência de que ele só fez duas cirurgias plásticas no nariz tem o mesmo tom dos comentários de que a mãe das crianças resolveu oferecê-las como um presente a ele. Bashir pergunta para Prince Michael onde está a mãe dele e o menino responde que não tem mãe. "Você acha isso normal?", pergunta o jornalista a Jackson. "Acho, eles estão bem comigo."
Mas o próprio dia-a-dia de Jackson, cujo último disco foi um fiasco, já é suficientemente chocante. Que tipo de pessoa passa meses em suítes de hotel em Las Vegas cercado de máquinas de fliperama, manequins e cadeiras de rodas motorizadas? Qual pop star parece tão obviamente embriagado com demonstrações dos fãs ao ponto de jogar travesseiros autografados da janela de um hotel?
Sobre os bastidores da experiência, Bashir revelou que ficou chocado de que ninguém ao redor de Jackson teve coragem de falar alguma coisa sobre o episódio do bebê pendurado na sacada do hotel em Berlim. O jornalista também ficou intrigado com o relacionamento do pop star com um garoto de 12 anos que supostamente sofria de câncer. "Não vi nada de anormal em Nerveland enquanto estava lá, mas quem sabe o que acontece quando as câmeras não estão por perto?", disse.
Mas mesmo que o comportamento geral do cantor não fosse esquisito, a aparência dele já renderia um bom documentário. As perucas (apliques?), a maquiagem duvidosa e os detalhes do rosto dele são chocantes. No especial produzido pela ABC para complementar o material, uma cirurgiã plástica fez uma detalhada análise de Jackson. Além das inúmeras modificações no nariz ao longo dos anos (até o ponto de ter o chamado "nariz crucificado", que não tem mais jeito), ele teria mesmo afinado os lábios, feito uma covinha no queixo, levantado as sobrancelhas, colocado silicone na maçã do rosto e tirado a gordura da parte inferior dos olhos vários vezes.
Sobre a pele, a médica disse não saber se o vitiligo, do qual ele diz sofrer, veio da tentativa de clarear a pele ou se foi o contrário. Michael, por sua vez, diz que foi Deus que mudou sua aparência. "Muita gente branca acaba ficando mais escura mais tarde, de tanto sol que tomam durante a vida", diz. Diante de tal lógica, não há mais argumentos.
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