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Domingo, 10 de março de 2002, 20h13
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O ator é o conquistador Zein
Jorge Rodrigues Jorge/ Carta Z Notícias
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O papel de Luciano Szafir em O Clone é de causar inveja a muito homem. O ator paulistano de 33 anos está interpretando na novela das oito da Globo o conquistador Zein, uma espécie de Don Juan muçulmano que vai "interagir" com diversas beldades na trama. Casos de Beta, vivida pela estonteante Francielly Freduzeski, de Karla, interpretada pela bela Juliana Paes, e de Yvete, feita pela eterna musa Vera Fischer. Estas são apenas algumas que vão cair "na lábia" do egípcio conhecido, exatamente por esse jeitinho de ser, como "maldição do faraó". Szafir também foi seduzido por Zein, apesar de considerar o papel muito difícil para ele. Exatamente porque o personagem consegue atrair as mulheres sem fazer força. "É complicado ser sedutor sem tentar fazê-lo de verdade. Não é aquilo de dar uma olhada. É parecer o mais normal possível, sem parecer que você está querendo ser o mais normal possível", tenta explicar Szafir.Parece que a tática é essa mesma. Em sua primeira cena na novela, Szafir tinha de dançar na inauguração da boate que Zein acaba de inaugurar. As mulheres presentes na gravação saíram da locação literalmente boquiabertas e rasgando elogios ao ator. Mas só conversando com Szafir é que se entende o porquê da dificuldade para ele em fazer tal papel. O ator é tímido. Por isso, gravar a tal cena - que misturava danças árabe, espanhola e techno, entre outras - foi trabalhosa. Tanto que ele queria que, durante a seqüência, permanecesse no estúdio o menor número possível de pessoas. "Na hora de gravar tudo intimida: câmaras, seguranças, diretor... até espelho", exagera. Szafir, no entanto, teve de aprender a se soltar. Nas reuniões de elenco de O Clone, recebeu as primeiras lições de dança árabe. "A gente se divertia. Imagine Antônio Calloni, Stênio Garcia e eu colocando a mãozinha atrás da cabeça e dançando", diverte-se. Depois, ele contou com a ajuda da professora de dança Sandra Regina. Há três meses, os dois vêm trabalhando juntos e o ator recebeu noções dos movimentos árabes e de outras danças para fazer o "mix" que o personagem apresenta em sua boate. "Exige bastante treinamento, mas estou me soltando aos poucos", avisa o ator, com um discreto sorriso. Curiosamente, foi essa timidez que levou Szafir para a teledramaturgia. O ano era 96 e o modelo havia organizado um desfile da grife que representa no Brasil, Fossil, para exibir no programa Hebe. Szafir estava quieto no canto do sofá da apresentadora do SBT ao lado de Denise Manga, esposa de Carlos Manga, diretor da Globo. Por isso Manga viu o programa e achou que Szafir poderia muito bem ser o personagem tímido que ele precisava na novela Anjo Mau dali a duas semanas. "Já havia recebido outros convites antes desse do Manga, mas eu não queria ser ator. Mas pensei: 'estou querendo vender franquia e a tevê é uma mídia forte'. Resolvi aceitar", lembra. O interesse comercial virou paixão, segundo o próprio ator. "Com uma semana contracenando com Paulo José e Bel Kutner, me apaixonei pela profissão. Desde então, venho me dedicando e estudando", garante. Talvez pela avalanche de críticas que recebeu contra seu desempenho em "Anjo Mau" – ele era Júlio, que além de tímido, era insosso –, Szafir, para ser ator, recorreu à mesma disciplina que a carreira de modelo exige. Jura que nunca se atrasou para as gravações e que sempre entra em cena com o texto na ponta da língua. "O primeiro trabalho foi duro. Às vezes, revejo cenas de Anjo Mau e falo: 'Caramba, que coisa horrível!'. Mas estou percorrendo a trilha passo a passo", acredita. Nessr caminho, Szafir também teve de aprender a ter paciência. Afinal, o personagem estava previsto para entrar em O Clone em novembro, mas o estica-e-puxa da trama fez com que ele só desse as caras na história mês passado. "O lado bom é que a novela já é sucesso. O problema é manter a qualidade do trabalho", valoriza o ator. Paixões passageiras Na novela das oito da Globo, o conquistador Zein, que Luciano Szafir interpreta em O Clone, tem o adequado apelido de "maldição do faraó". Tudo porque o sujeito vai conquistar diversas mulheres na trama de Glória Perez e deixar arrasados os respectivos ex-namorados, ou seja, os corneados. No entanto, de acordo com o próprio Szafir, o personagem foi inspirado num egípcio que realmente existe e que viveu um tempo no Brasil. "Ele também era conquistador e ganhou o apelido 'maldição do faraó' dos homens traídos", explica o ator. Na novela, Zein vai seguir à risca a maldição. A primeira conquista vai ser Beta, papel de Francielly Freduzeski. Depois, com sua dança, o egípcio vai deixar Leônidas com mais uma dor de cotovelo, já que seduz Yvete, de Vera Fischer. Karla, personagem de Juliana Paes, é outra na mira de Zein. Nenhum dos relacionamentos, no entanto, é para valer. "A Glória falou que ia botar o Zein para rodar, que ia tentar colocá-lo com todas as personagens que conseguisse", avisa. O personagem só vai se aquietar com Jade, papel de Giovanna Antonelli. Isso mesmo, Said - Dalton Vigh - vai ganhar mais um suntuoso par de chifres graças a um acordo que vai fazer com Zein. Como só pode ter a amada como sua esposa novamente se ela casar com outro homem e se divorciar, Said propõe a Zein que junte seus trapinhos com Jade e depois a "devolva". "Mas não sei se ele vai devolver. Se o Zein se apaixonar por ela como está previsto, imagino que não devolva", aposta. Instantâneas # Em O Clone, Luciano Szafir ia aparecer de "cara limpa" mas, conversando com o diretor Jayme Monjardim, ele sugeriu que o personagem usasse um cavanhaque para ganhar um ar árabe. # O ator encomendou a uma amiga de São Paulo que trabalha com jóias, um pingente de ouro com escritos árabes que significam "Luz". # Como boa parte dos judeus, Szafir tem feições árabes. Tanto que, no primeiro dia de gravação da novela, uma das figurantes que trabalham na casa do personagem Said foi logo falando com ele em árabe. # Na minissérie Aquarela do Brasil, exibida em 2000, o ator interpretou Alfredo, um judeu polonês que se refugiou dos nazistas no Brasil. # Szafir também atuou na minissérie Labirinto, de 1998, no papel de Ivan Sampaio. # No teatro, Szafir trabalhou na peça Boeing Boeing e também participou da encenação a céu aberto de Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém, em Pernambuco, no ano passado, como Pilatos.
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Fernando Miragaya/TV Press
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