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No Limite 3 promete mais "show" que "reality"

 

   

Sábado, 03 de novembro de 2001, 12h36

A primeira edição de No Limite, exibida em julho de 2000, primou pela originalidade. Afinal, era a primeira vez que o formato "reality show", muito difundido em outros países, chegava ao Brasil. Resultado: o programa alcançou 47 pontos na estréia. Já a segunda edição, exibida seis meses depois, não despertou o mesmo interesse. Sem o fator surpresa, a audiência caiu para 34 pontos. A terceira edição, que estreou no último domingo, mais parecia um "remake" da versão original. Sol escaldante, água-de-coco e pesca improvisada. Só a audiência esteve longe da original: No Limite 3 não passou dos 33 pontos. Para piorar a situação, o SBT ainda lembrou de estrear, na mesma hora de No Limite, sua versão para o Big Brother: Casa dos Artistas. Apesar de ter entrado no ar de surpresa, sem qualquer divulgação, o programa alcançou 28 pontos, apenas 5 a menos que No Limite.

A julgar pelo capítulo de estréia, No Limite 3 vai ter "reality" de menos e "show" demais. Em vez de sofrimento, fome e frio, o diretor do programa, Boninho, optou por mostrar gente sedutora num cenário paradisíaco. Coincidência ou não, nenhum dos 12 integrantes precisa frequentar os Vigilantes do Peso. Pelo contrário. Todos eles, sem exceção, são forte candidatos a posar para capas de revistas masculinas ou sites de "celebridades peladas". Os marmanjos, por exemplo, devem torcer pela triatleta Hérica ou pela estudante Tatiana. Já as moçoilas vão suspirar pelo sushiman Diuare ou pelo modelo Fábio. Para não frustrar a audiência, Boninho mostrou biquínis e sungas em profusão. Alguns closes, inclusive, foram bastante indiscretos. Como as cenas de Hérica trocando de roupa ou Tatiana tomando banho no rio.

Ao que parece, No Limite 3 parece ter sido concebido como uma minissérie em nove capítulos. Não por acaso, o diretor Guel Arraes e o autor Manoel Carlos foram convidados para dar palpites na seleção dos candidatos. Afinal, os dois têm experiência de sobra na escalação de elenco. De fato, cada um dos 12 integrantes parece ter saído de uma novela das oito. O No Limite 3 tem o bom pastor, o garotão sarado, a mocinha encrenqueira e assim por diante. Em comum, apenas o fato de serem todos bastante carismáticos. Ao contrário de boa parte dos integrantes da segunda edição, nenhum deles corre o risco de passar despercebido pelo público.

O apresentador vitalício do No Limite, Zeca Camargo, continua desempenhando bem o papel de "instrutor de acampamento". Ninguém, aliás, parece levar aquilo a sério além dele. Quando aparece no portal, Zeca age de maneira tão solene que ultrapassa a barreira do ridículo. Parece que está presidindo uma sessão da ONU pela paz no Oriente Médio. A cerimônia com que destrói o cordão do participante eliminado pode até arrancar lágrimas do telespectador mais sensível e carente de uma boa psicoterapia.

O diretor do programa, Boninho, prometeu uma "entrada triunfal" para inaugurar o programa. Não foi isso que aconteceu. A tal "entrada" consistia em cada integrante pular de pára-quedas, de uma altura de 2.700 metros. A idéia teria sido realmente fantástica se cada participante não tivesse pulado com alguns dos melhores instrutores de pára-quedismo do Brasil. O salto duplo esvaziou completamente a aventura. Na pior das hipóteses, o integrante só precisava fechar os olhos. A fisioterapeuta Adriana, por exemplo, quase chegou desmaiada à batizada Praia dos Coqueiros, no litoral do Pará.

O "quase" desmaio da fisioterapeuta, aliás, foi o único clímax da estréia. No mais, muito blablablá entre os membros das equipes, prejudicado pelo áudio ruim. De novo mesmo, só o visual "high-tech" do portal - o voto passou a ser eletrônico - e o sistema de repescagem. Segundo o novo regulamento, os quatro primeiros eliminados voltam para casa com um carro zero km e R$1 mil no bolso. Já os seis próximos eliminados vão ser levados para o Vale dos Exilados. Lá, vão disputar outras provas para definir o primeiro dos três finalistas. Para evitar que o vencedor seja conhecido antes da hora - como aconteceu da primeira vez, quando a surpreendente vitória da roliça Eliane já era pública e notória semanas antes -, Boninho promete revelar o nome do ganhador só no dia 16 de dezembro, direto do Projac. Muito pouco, diga-se de passagem, para assegurar o interesse por um formato que já caiu na mesmice.

André Bernardo
TV Press

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